Ano novo, vida nova. É sempre nesta altura que pensamos naquilo que já fizemos, naquilo que queremos fazer. Até mesmo em quem somos. Estamos mais velhos e damo-nos conta de que o tempo passa com demasiada rapidez.
Como é que devemos viver? Acho que ninguém tem uma receita (nem que seja só para si próprio) para responder a esta pergunta. Ao mesmo tempo que vivemos, mudamos. Por pouco que seja, mudamos na medida em que novas experiências, novas pessoas, ou novos lugares passam por nós.

Uns desejam esta mudança, esta passagem de tempo. Os adolescentes normalmente esperam pelos tão esperados “18 anos”, idade que associam à liberdade. No entanto, com a liberdade vem também a responsabilidade e a responsabilidade torna-nos velhos. A falta de tempo, a fuga constante para conseguir fazer tudo que tínhamos planeado, as noites em que fazemos planos para o dia seguinte. Planos simples e chatos, como comprar algo, ou fazer alguma coisa para o trabalho, ou a escola. Sentimo-nos cansados. Velhos, mas o que é mesmo ser velho?
Isabel Allende, uma escritora chilena (que vive actualmente nos Estados Unidos da América), diz que é a sociedade quem decide quando envelhecemos, que normalmente é por volta de 65 anos. Porém, diz que não envelhecemos só a partir desta idade. Diz que envelhecemos desde que nascemos. “Envelhecemos agora mesmo.”
Será que envelhecer quer dizer que vamos deixar de fazer as coisas que gostamos, porque a sociedade “diz-nos” para o fazer? Não é só uma referência para aqueles que têm mais de 65. É para todos. Será que devemos deixar de brincar, se já não somos crianças? Como diz a autora, “é difícil envelhecer nesta cultura”.
Apesar disso, afirma que envelhecer traz-lhe algumas vantagens também, como por exemplo a liberdade. “Já não tenho de provar nada a ninguém, não estou presa à ideia do que eu era, de quem queria ser, ou do que as outras pessoas esperam que eu seja.” Diz que a aposentação é um tempo fantástico, porque enquanto ´jovens´ foram pagas as obrigações para com a sociedade e que este é um tempo para aproveitar.
Apesar do optimismo que todos temos na noite em que muda o ano, este depressa desaparece. Quantos planos fizemos que não cumprimos, ou quantos sonhos tivemos que não alcançamos? Porque não viver de forma a que possamos amar cada momento? Porque nos preocupamos tanto com a forma como vivemos? Por nós, ou pela sociedade? Como devemos viver?
“Eu pretendo viver a vida apaixonadamente”, disse a autora de 71 anos. E numa altura em que fazemos mais planos, esta simples frase parece-me um bom slogan para o ano que vem.