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O problema do degelo no Ártico

Se por cá vamos aprendendo a conviver com Verões chuvosos e invernosos de manga curta, nos últimos anos, a camada de gelo no oceano Ártico tornou-se 40% mais fina e a sua área diminuiu 14%.

O Ártico, ou Região Ártica, é a região localizada no Hemisfério Norte onde a temperatura média do mês mais quente é inferior a 10 ℃. Outra forma de identificar o Ártico é pela “linha das árvores ártica”, ou seja, dadas as condições climatéricas, o Ártico carateriza-se por uma flora rasteira, terminando onde surgem aglomerados de árvores.

Durante o Inverno, o Ártico pode atingir uma temperatura média de -40 ℃ e fica completamente coberto por gelo. Durante o Verão, a tundra é a vegetação principal, encontrando-se apenas espécies arbóreas pontuais nas zonas mais aquecidas. Assim como no deserto, este ambiente condiciona a vida animal existente, quer pelas suas particularidades de sobrevivência quer pelas caraterísticas físicas, e as quais só conhecemos pelo que vemos nos jardins zoológicos e filmes.

Existem testemunhos de zonas povoadas no Ártico desde pelo menos há 15mil anos. Vivem cerca de 4 milhões de pessoas no Ártico, nomeadamente no Canadá, na Groelândia, nos Estados Unidos da América, na Noruega e na Rússia. A maior parte das populações são nómadas ou vivem em situações muito dispares das nossas.

Quando se fala do degelo do Ártico, é-nos, portanto, complicado consciencializar e mensurar as suas consequências.

Para os mais céticos, vamos fazer uma experiência. Meçam a temperatura ambiente da vossa cozinha e dentro do vosso congelador. Deixem a porta do congelador aberta. Liguem uma fonte de aquecimento (AC, caldeira, etc.) e aguardem alguns minutos. Repitam a medição da temperatura quer dentro do congelador, quer no ambiente. Quantos graus aumentou em cada zona? O aumento da temperatura no congelador, em proporção, é maior que o aumento da temperatura ambiente na cozinha, certo? Agora reparem no que começa a acontecer no congelador. Ficaram com o chão da cozinha alagado e até eventualmente com as pantufas molhadas? O bifinho que era para sexta-feira já está descongelado? O gato molhou-se, disparou a correr sujando a casa toda e ainda por cima ficou constipado?

Acabamos de simular o aquecimento global e algumas consequências diretas deste. As paredes e teto da nossa casa são a camada do Ozono, a nossa casa é o nosso planeta. O bifinho são os alimentos da população e animais, e o congelador é o Ártico. Mas no Ártico não existe porta que possamos fechar para evitar que derreta, ou impedirmos as circunstâncias e consequências do seu derretimento no sítio onde é a nossa casa.

Existem acordos como Quioto, ou o de Paris mais recentemente, efetuados pelas grandes economias mundiais e instituições governamentais para diminuir o impacto das ações que tomamos no planeta desde a Revolução Industrial (século XIX). No século XXI, multiplicam-se chavões como sustentabilidade, economia circular, pegada ecológica, ações de carbono, biológico, etc., mas implementar ações e obter resultados é uma corrida desleal. Atrasamo-nos pelo menos um século no arranque da partida.

O aquecimento tem repercussões negativas desde há muito tempo na flora, fauna e vida das populações nativas e residentes, quer no Ártico, quer na Antártida, quer no resto do planeta. O nível do mar subirá e molhar-nos-á as pantufas, provocará intempéries onde vivemos à mesma velocidade com que o gato fugiu pela casa quando molhou as patas, destruirá parte da vegetação e flora de que desfrutamos e será mais difícil ainda sobreviver, porque será connosco que acontece e não num sítio longínquo que só vemos em “post it’s” de redes sociais.

Talvez aconteça depois de nós e dos nossos filhos, mas talvez seja melhor contribuirmos, seja por medidas mais drásticas ou por pequenos contributos, como o do Ser que aos 5 anos insiste em reutilizar várias vezes a garrafa de água.

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