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“Moção Construtiva”

Os governos têm vindo a demonstrar uma orientação favorável à transferência de conhecimento científico e tecnológico gerado por entidades de investigação e universidades públicas.

Esta orientação tem sido também adotada por parte de vários sectores das áreas académicas, dando lugar à realidade da «universidade empreendedora», considerada como uma nova missão do ensino superior. A criação de empresas é uma dessas formas e tem conhecido grande incremento.

Percebe-se um grande interesse na promoção de transferência de conhecimento entre a universidade e a indústria.

O relacionamento entre a universidade e a economia de mercado e entre a investigação básica e a aplicação tecnológica tem vindo a sofrer profundas alterações, particularmente após o final da Segunda Guerra Mundial, com o estreitar das relações existentes entre ciência, indústria, mercado e política.

O conflito deu a conhecer a vantagem representada pela ciência ao nível da estratégia militar, política e económica das nações. Por outro lado, o seu ‘términus’ foi acompanhado por uma estabilização económica e social que permitiu o aumento do rendimento disponível das famílias.

Os avultados investimentos efetuados pelos estados, durante a Guerra, no aperfeiçoamento tecnológico proporcionaram diversos desenvolvimentos, tanto nos métodos como nos instrumentos utilizados, que vieram aumentar exponencialmente a produtividade.

Este aumento produtivo, associado à melhoria das condições de vida e ao incremento da atividade publicitária, constituiu um forte impulso no volume de vendas, que, ao mesmo tempo que promovia um cada vez maior desenvolvimento económico, fazia chegar a todas as casas os bens e os serviços, democratizando e vulgarizando o seu uso.

A banalização do valor intrínseco dos bens e dos serviços tornou a sua dimensão simbólica fundamental. Com uma oferta superior à procura e um preço acessível aos consumidores, o meio de diferenciação e, consequentemente fator crítico de sucesso das empresas, passa a ser não a mera força produtiva, mas a capacidade de inovação como base de desenvolvimento de novos produtos, processos e serviços.

Assim, as universidades passaram a acumular com as suas funções outras preocupações de ordem económica e política. A indústria passou a fazer também investigação e o governo passou a fornecer incentivos para a criação de empresas.

As universidades passaram a acumular com as suas funções tradicionais (preservação e produção de conhecimento, educação da juventude e disseminação da pesquisa) novos objetivos de cariz económico, a sua posição social ascende à primeira linha, transformando-se num pilar fundamental da sociedade enquanto potencial força motriz do crescimento económico e social.

No que se refere à indústria, o mercado caracteriza-se por uma procura cada vez mais exigente e uma ânsia de inovação constante. Com ciclos de vida cada vez mais curtos, os produtos, para poderem corresponder aos requisitos do mercado, necessitam de se apresentar perante os consumidores como estando em constante evolução.

Este aspeto implica, por parte da empresa, uma atitude de busca constante de novas informações, conhecimentos, tecnologias e inovações, preferencialmente em carácter de exclusividade para poder conservar a posição de vantagem relativamente à concorrência por mais tempo.

Assim, existe um profundo interesse, por parte da indústria, em integrar projetos envolvendo estruturas de investigação e pesquisa que lhes permitam estar a par do que de mais avançado existe em determinada área disciplinar.

As empresas baseadas no conhecimento estão a emergir como motor de crescimento económico, independentemente de terem origem em empresas já existentes ou em grupos de investigação académica, sendo que as que têm origem nas instituições universitárias normalmente mantêm um contacto próximo com a sua instituição de origem.

Anteriormente, motivada em exclusivo pela busca de conhecimento pessoal e economicamente desinteressado, a vocação científica foi ao longo do tempo abarcando novas motivações.

A revolução industrial, para além de ter dado origem a uma profunda transformação social e económica, veio introduzir um novo ator na relação entre ciência e sociedade – a empresa. Este novo ator constituiu a fonte de uma nova motivação para a pesquisa científica, o benefício económico, dado que a investigação aplicada se tornou uma profissão bastante rentável.

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