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Será a comunicação social mesmo tendenciosa?

Não existe opinião pública, existe opinião publicada.

– Sir Winston Churchill

Atualmente ler os jornais, ou ver e ouvir os canais informativos é sinónimo de navegar por um mar de informação, nomeadamente notícias de última hora onde quase tudo o que se lê acabou de acontecer, ou tem poucas horas de sucedido.

A pergunta que se coloca é: Na leitura de tantas notícias, conseguimos ancorar desta navegação que fazemos, para perceber se a informação disponibilizada é apenas e só informação? Ou esta aparece-nos associada a opiniões e comentários que poderão ser tendenciosos e condicionar a análise de quem recebe a informação?

Se é verdade que uma ocorrência que se relata é única, também é verdade que a mesma pode ter variadíssimas interpretações, e a forma como esta se descreve pode por si só ser um composto de interpretações e análises, que se dispensam, já que esse é o trabalho de quem lê, vê ou ouve a notícia, não de quem a apresenta.

E esta é a grande questão que se coloca: O que nos é exposto é a descrição do que aconteceu, ou é apenas uma interpretação do mesmo? Aqui reside o dilema, podem existir situações em que é fácil perceber se estamos perante um relato simples e claro de uma determinada questão, mas outras haverá em que se torna mais complicado perceber.

Pode ser preocupante a dúvida e pertinente a apreensão sobre a existência de informação tendenciosa. Podemos estar por exemplo em presença de órgãos de comunicação com tendências manipuladoras, ou mesmo sensacionalistas que procuram apenas atingir objectivos que se traduzem em lucros.

Ainda mais grave se torna se estes meios de comunicação forem considerados influenciadores ou de referência para quem os lê, vê ou ouve, porque neste caso estamos em face de uma dupla manipulação da notícia por um lado, e de quem lê ou vê essa notícia por outro.

Todas estas dúvidas transportam-nos a outra questão: Será a comunicação social mesmo tendenciosa?

Acredito que sim e por uma razão muito simples de perceber. É sempre necessário muito cuidado por parte do profissional de comunicação em contar ou narrar um evento ou ocorrência, completamente alheado da mais ínfima hipótese de personalização, ou enunciação de opinião. Não será com certeza impossível e regra geral a informação é apresentada de modo transparente sem interferências opinativas ou comentários alheios ao que ocorreu.

No entanto, nem sempre é fácil. Se falarmos de questões desportivas ou religiosas, então, ainda mais difícil se torna este exercício, porque no fundo é apenas disso que se trata, muito trabalho e treino na apresentação do tema, separando conscientemente as águas entre o que se pensa sobre determinado assunto e o relato que se faz, simples e sem analogias ou comentários desnecessários.

Para que o jornalista que escreve sobre determinada matéria consiga abstrair-se dos seus sentimentos, pensamentos e opiniões é necessário um imenso trabalho de verdadeiro profissional, que abandona a pessoa que é e passa apenas a ser o redator, jornalista da notícia sobre a qual vai escrever e ou falar.

No entanto, todos sabemos que infelizmente para o bem do jornalismo e de todos nós, nem sempre assim acontece, somos humanos e consequentemente sujeitos a falhas e erros.

Sobretudo em face do imediatismo com que as notícias são divulgadas, acredito que por muito boa vontade que possa existir, nem sempre o calor do relato no momento permite a isenção de opinião… e ficam por vezes os comentários, as meias palavras, no caso da televisão a própria expressão facial ou tom de voz atraiçoa o profissional e deixa por vezes passar o que pensa sobre o tema em questão.

A forma como a opinião pública está a ser informada deverá ser uma séria inquietação, importa perceber se quem informa deturpa a informação que apresenta, podendo estar a gerar adulterações de opiniões, porventura até análises erradas, ou comentários desapropriados ao que aconteceu.

No universo informativo, deve existir um meticuloso cuidado na apresentação da informação ao público, caso contrário poderá ao invés de se informar o público, estar apenas a apresentar a opinião do profissional sobre a notícia.

Se assim acontecer, então, estará tudo completamente invertido.

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Ana Paula Marques

Assumo sem qualquer tipo de pudor o grande gosto que tenho pela escrita, e pelo ato de escrever palavra após palavra, construindo momentos de reflexão e procurando embelezar os nossos dias. Verter palavras transformando-as em textos, são momentos de criatividade que me fazem mais feliz, e que espero, possa transformar de algum modo a vida de quem lê o que escrevo com tanto amor!

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