Poderoso deve ser aquele que é, não aquele que tem

Todos já ouvimos “o que importa é aquilo que és, não o que tens”. Ser bom, ser melhor, ser amor. Ter algo traz felicidade, mas, no final do dia, quando estamos sozinhos, sentados no sofá e a fazer-se noite lá fora, só estamos nós e o que somos. Despidos de tudo. Só nós. É certo que, às vezes, o mundo está do avesso e o que as pessoas têm torna-se mais importante. Refiro-me àquilo que é material físico. E acaba por ser uma guerra: quem tem mais, é quem é mais poderoso. E quem é bom? Quem é melhor? Dada a sua relatividade, não se discute. Uma coisa é certa: quando morremos, somos todos melhores.

O ter pode levar ao ser. Por exemplo, eu tenho um carro, logo sou feliz. E estes dois verbos conseguem estar de mãos dadas, mas não mais do que isso. O ter não pode, de maneira nenhuma, prevalecer ao ser. E o ter, ter em demasia, nem sempre é bom. Isto leva-nos ao consumismo, um modo de vida orientado para um crescente consumo de bens e serviços, em geral supérfluos. Surgiu com o capitalismo, um modelo económico que vive de lucros e precisa de vender cada vez mais. Não estou a colocar em causa o consumo por sobrevivência, porque o ser humano precisa de consumir.

O que está em causa é o consumo em excesso, ter coisas que só nos deixam mais felizes por instantes e, muitas vezes, estão ligadas ao marketing e à publicidade. As câmaras fotográficas registam momentos, sejam eles tristes ou felizes. Contudo, se fizesse uma publicidade, não faria algo como a viajar pelo mundo e as pessoas a sorrir em cada foto? Isso incita à compra desta, porque as pessoas querem registar bons momentos. Claro que todos já ficámos felizes por ter algo físico, mas é importante haver consciência de que a felicidade tem de vir de si, não exclusivamente de uma máquina. Vou-lhe contar um segredo: há quem não se aperceba disso. Aliás, não é fácil aperceber-se disso.

Quando vê um anúncio de batatas fritas, aparecem as batatas douradinhas e crocantes. As cores e o ambiente passam a mensagem de algo positivo. Muitas vezes, não notamos que estamos a ser levados a comprar coisas que não mudam assim tanto a nossa vida. Sabemos todos que as batatas fritas de pacote não são saudáveis. Ainda para mais, estão envolvidas em plástico. Isso não é bom.

O que pode ser benéfico para a economia do país, pode ser maléfico para a população, a sua saúde e ambiente.  Atualmente, fala-se muito da realidade que é o consumo excessivo de plástico, que vem afetar a sustentabilidade do planeta, levando a uma herança negativa para as gerações futuras. Já li opiniões sobre o assunto e há quem defenda que não é a cortar nas palhinhas de plástico que se faz a diferença. Talvez não mude muito, mas a mudança tem de começar por algum lado. A mudança tem de ser agora. Se formos aos supermercados, vimos os alimentos embrulhados em plástico. O uso excessivo de plástico e também ao não hábito de reciclar leva à degradação e devastação ambiental, poluição e, consequentemente, à destruição dos ecossistemas, uma vez que há cada vez mais o conhecimento de espécies a serem encontradas mortas devido ao plástico.

Apoio a ideia de se irem mudando as mentalidades: evitar comprar sacos de plástico, reduzir nas palhinhas, implementar o consumo de copos reutilizáveis nos festivais. Para o facto de possuir algo não ter um peso tão grande no mundo. Reciclar ali, poupar aqui. Recentemente, fui a um festival assim e ainda vi plástico no chão. Mas o passo tem de ser dado. Estamos numa altura que o passo tinha de ser maior, mas mais vale a pouco e pouco do que não fazer nada. Vamos melhorar o mundo. Para o bem de todos. Assim, seremos melhores. O ser é maior do que o ter. Confirma-se.

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