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Pax Romana

Pax Romana é um período de aproximadamente 200 anos da história romana que é identificado como um período e uma era de ouro de imperialismo romano crescente e sustentado, ordem, estabilidade próspera, poder hegemônico e expansão, apesar de várias revoltas e guerras, e contínua competição com a Pátria (via Wikipédia)

A definição de Pax Romana que lemos em cima pode não ser a mais concreta e tecnicamente correta, mas acredito quem a lê facilmente se apercebe que a dia se trata de uma paz forçada que é imposta por forças das armas, interesses e poderes dominantes sem se olhar a resultados no médio e longo prazo. Em suma e entrando aqui no campo da definição pessoal que é a minha leitura do sentido e noção de Pax Romana, esta é uma paz artificial que perdura porque os mais poderosos a podem impor usando todo e qualquer tipo de meios para tal (não tem necessariamente de ser pela força das armas) e os mais fracos aceitam-na porque o tempo e circunstâncias a isto os obrigam dado não terem outra possibilidade senão aceitar viver e conviver nesta paz forçada.

Tudo isto para aqui dizer que acredito que atualmente na União Europeia vive-se uma Pax Romana. Facto é que o projeto europeu que sofreu variadíssimas alterações na sua denominação ao longo das décadas, é um projeto que tem em vista, essencial e fundamentalmente, a manutenção da paz no Velho Continente outrora fustigado por guerras, contudo acho que aquilo que hoje chamamos de União Europeia (UE) não passa de um Império Romano do Ocidente que, tal como o seu antepassado ido, padece de divisões internas consideráveis que levam a que muitas vezes se tomem decisões que ao comum dos cidadãos custa a entender.

Tomemos como exemplo o assunto do gás russo que muito tem dado que falar, que muita contestação vai criar no próximo outono/inverno e que já levou à queda de Boris Johnson e Mario Draghi (ambos dispensam apresentações). Guerra à parte, bons e maus da fita idem, facto é que esta temática não é consensual em toda a UE. Certo é que quando o Inverno chegar vamos ter a Alemanha (líder do “Bloco do Norte”) a impor cortes e contribuições no gás a todos os outros Estados-membros com a França a assinar por baixo pois o lobby do nuclear abre-lhe tremendas e gananciosas perspetivas de lucro. Temos aqui, então, aquilo que eu vinha falando: Pax Romana.

E este é somente o exemplo mais recente que uso para explicar e expor tudo o que escrevi até aqui. Mais existiram. Por exemplo, tivemos a crise das dívidas soberanas onde os países do Sul foram rotulados de preguiçosos pelos países do Norte, o controlo orçamental de Bruxelas fortemente patrocinado pelo “Bloco do Norte” que condenou à morte lenta todos os serviços públicos dos Estados-membros do “Bloco do Sul”, a crise pandêmica da COVID onde só faltou à Alemanha e seus parceiros sentar a Itália (país do Sul da Europa) no banco dos réus e de seguida decapitar-lhe a cabeça sem que o Juiz se tenha pronunciado sobre o caso, etc.

Em jeito de conclusão tendo em consideração que muito fica por dizer e refletir pois ainda estou para entender quem deu plenos poderes aos órgãos da UE para censurar canais televisivos, sancionar países tendo por base a ideia de que os cidadãos europeus têm de financiar o esforço de guerra (qual guerra?), apressar o programa europeu de transição energética para o modo atabalhoado porque se “meteram os pés pelas mãos” lá com  as sanções à Rússia e agora que o inverno se aproxima vai ser o bom e o bonito com a escalada vertiginosa do preço do gás dada a escassez de recursos, etc. confesso que gostaria de ver a Europa a seguir um rumo mais positivo, coerente, democrático e o mais uno possível ao invés da triste figura que somos obrigados a ver, viver e sofrer.

Um aparte. Não me venham com a ladainha estilo banha de cobra de que o nuclear e o carvão são a oitava maravilha do mundo.

Facto que a União Europeia e a sua mania de seguir todo e qualquer disparate made in USA colocou-nos a todos nós num sarilho tal que não augura nada de bom para além de que falamos de duas fontes de energia altamente poluentes…

O carvão já sabemos o que faz, já o nuclear é um fato que está muito mais seguro hoje em dia mas as barras de urânio têm um prazo de validade e quando chegam ao dito cujo tem de ser continuamente arrefecidas em piscinas, armazéns devidamente arejados e enterradas onde podem contaminar solos e lençóis de água.

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