A União faz a Força

Sempre ouvi a premissa “juntos somos mais fortes”, aplicada em todas as vertentes da vida.

No que se refere ao nosso velho continente ‒ a Europa ‒ riquíssimo em heranças histórico-culturais, todos os seus cidadãos podem ganhar com essa união entre países.

Mas será que o nascimento da União Europeia veio ou não unificar e fortalecer os laços socioeconómicos dos vinte e sete países que atualmente integram esta instituição?

Como salvar a União Europeia num tempo conturbado e com tantas questões como o que atravessamos?

Tudo depende de como enfrentamos os vários desafios que ela enfrenta em variados níveis, tais como: a fragmentação política, a desigualdade económica entre os estados-membros, as ameaças externas, as migrações, o clima, entre outros.

Seria mais viável a adoção de uma estratégia comum em diversas áreas ou a solidariedade entre os países membros, de modo a salvaguardar os interesses de todos?

Penso que a solução estaria no equilíbrio entre as duas fórmulas.

Se, por um lado, uma estratégia comum implicaria uma centralização e coordenação, (com consequente integração política, social e económica), por outro ‒ a solidariedade entre os membros ‒ a ênfase estaria no respeito na diversidade e apoio mútuo.

Existem vantagens e desvantagens em cada uma destas possíveis soluções, como é óbvio.

Havendo uma estratégia comum, teria que coexistir uma política fiscal comum; uma defesa integrada; padrões comuns de educação, de ambiente, saúde, por exemplo.

As vantagens seriam muitas: maior coesão e previsibilidade, maior poder a nível global, evitando a tomada de decisões por algum país que pudesse afetar negativamente o todo.

As desvantagens prendem-se com o facto de haver a hipótese de resistência por parte de países que queiram conservar a todo o custo, a sua soberania, correndo o risco da não preservação das realidades locais.

Seguindo a segunda via ‒ a solidariedade entre os estados-membros ‒ nomeadamente com a implementação de fundos de coesão para os países menos desenvolvidos, a distribuição justa de responsabilidades em crises como a dos refugiados e o apoio mútuo em caso de desastres naturais e pandemias. As vantagens também seriam muitas, portanto. Entre elas: o restabelecimento da confiança e sentido de comunidade e o respeito pelas diferentes trajetórias nacionais. Este plano seria, talvez, o mais viável.

Contudo, há outras desvantagens: possíveis desequilíbrios se a solidariedade não for recíproca e dificuldade em agir com força e rigidez em situações de crise.

Em conclusão: o caminho do equilíbrio seria o mais realista na combinação das duas possíveis abordagens: estratégia comum nas áreas onde a união faz a força e solidariedade para lidar com as desigualdades internas e promover a coesão.

Combinar pragmatismo com solidariedade efetiva. Só assim poderá haver União Europeia forte e coesa, com soluções viáveis que, caso contrário, só poderá acarretar divisões, atrasos e crises, como, lamentavelmente, se tem vindo a observar.

Um exemplo de sucesso desta solução foi a que vivemos durante a crise da pandemia da Covid 19 na qual se aliou a estratégia comum e a solidariedade em conjunto.

Nota: Este artigo foi redigido segundo o Novo Acordo Ortográfico

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