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Para a eternidade

Passou recentemente na RTP2 a série francesa “Para a Eternidade”,  filmada em de 2018 por Thomas Cailley.

Esta série aborda a vida do ser humano após a descoberta da fórmula para viver para sempre, com um aspeto jovem e belo, e da reorganização da sociedade, por liderança, manipulação e contenção.

Mais do que opinar sobre se a série é boa ou não, se está bem filmada, escrita e interpretada, com cenários adequados ou com ou sem erros técnicos, interessou-me o fato de me manter sentada e desperta no sofá e ter-me imposto uma reflexão após cada episódio.

Nesta série existem pressupostos e apontamentos que aponto como bases de contexto, dos quais destaco parcamente para não ser spoiler:

  • Tudo é eletrónico e automático, mas usam-se garrafas de água de plástico.
  • A pessoa mais velha da série, a anciã faz 169 anos. Estão omissas outras referências a localização temporal.
  • O controlo da taxa de natalidade está em referendo, para limitar novos nascimentos devido à sobrelotação populacional.
  • A idade adulta acontece aos 30 anos. (Hoje em Portugal considera-se adulto aquele que tem 24 ou mais anos.)
  • A partir da idade adulta, 30 anos, as pessoas podem submeter-se a processos de regeneração sempre que queiram rejuvenescer, quando ficam doentes ou feridos. Basta entrarem numa câmara tipo solário.
  • A regeneração foi um avanço científico atingido durante um surto de cancro que matou grande parte da população.
  • As medusas são o símbolo do futuro.
  • Ao fim de 99 anos na mesma profissão, as pessoas reconvertem-se noutra profissão.
  • A morte de entes queridos é anunciada apenas na presença de um pranteador. A morte é tão rara que as pessoas desconhecem o significado da palavra morte e do que significa a ausência definitiva.
  • Não existe carne disponível para a maioria da população.

A série aborda a perspetiva dos crentes, dos não crentes, dos conformados e dos revoltados, e da escolha e opção de escolha recorrente.

A escolha de ser eterno e jovem ou de envelhecer e morrer é abordada quer na perspetiva banal e natural rumo das coisas, como se se tratasse de tomar decisões nas compras do supermercado, quer na perspetiva filosófica da infinitude que o ser humano atinge ao se tornar eterno.

Existe um livro, Os Segredos Do Infinito, que aborda o enigma do infinito a vários níveis: a nível da ciência, da matemática, da tecnologia, da arte e da simbologia.

Uma das abordagens do livro é o infinito da medusa Turritopsis nutricula, que após atingir a idade adulta adquire a capacidade de se regenerar, transformar ou transdiferenciar, as vezes necessárias para garantir a sua sobrevivência, sucumbindo apenas quando devorada por outros seres ou afetada por doenças. Este fenómeno de transdiferenciação também acontece com as estrelas-do-mar ou com as salamandras, que quando perdem parte do corpo, conseguem que o seu corpo se transfigure até repor a parte perdida.

O conhecimento da infinitude da medusa Turritopsis nutricula terá sido a ideia motora desta série. Talvez o autor tenha “Os segredos do infinito” e se debata constantemente sobre a amplitude da infinitude das coisas e do ser humano, assim como da sua constante transfiguração em outro ser ou da regeneração inconsciente que as nossas células fazem todos os dias.

Para a Eternidade” acrescenta espaço temporal e emocional para refletir e questionar o que é o futuro e provavelmente para uma segunda temporada.

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