Negócios

Outsourcing: procurar lá fora o que custa mais cá dentro

Existem inúmeros mecanismos que permitem que uma economia nacional seja mais eficiente, produtiva e até exemplar a nível internacional. Mecanismos estes que, tal e qual uma roupa que está em voga, se propagam e parecem invadir o subconsciente das pessoas, levando-as “na onda”. E qual é o instrumento com mais popularidade, a nível internacional, actualmente? O outsourcing.

Este conceito veio estabilizar formalmente uma práctica que se vem assumindo cada vez mais relevante entre as empresas. Buscando a redução de custos extrapolares e economizar recursos, esta é uma tendência que veio para ficar.

Traduzido de forma literal, implica que se encontre uma “fonte exterior”, levando a que as empresas pensem fora do seu “quadradinho” e encontrem potenciais aliados. Largamente associado à terceirização, procura parceiros em empresariais a uma escala para além de fronteiras.

Metaforicamente, podemos pensar que o outsourcing é como ir ao guarda-roupa da irmã mais velha, ou da mãe. Em troca de lavarmos a loiça na sexta à noite, podemos usufruir um dia inteirinho daquele vestido que nos realça as curvas. Desta forma, temos acesso a um bem, ou serviço que necessitamos, em troca de uma remuneração.

Mais do que uma moda, o outsourcing parece ter chegado às economias nacionais de forma intensiva. Invadindo vários sectores profissionais – desde o Marketing à consultadoria jurídica, passando pelos serviços de limpeza e pela logística – (assemelhando-se a diversas pessoas que vão usando a mesma peça de roupa por esta estar na moda), este instrumento alia a uma subcontratação, os benefícios de uma coligação empresarial que almeja o sucesso.

Desta forma, a empresa contratante vê os seus custos diminuir na produção, ou prestação de um serviço, tendo apenas de assalariar a empresa contratada, que, por sua vez, realiza o seu trabalho de forma menos dispendiosa e mais eficaz – benditas sejam as economias de escala!

Porém, o que nos faz querer arrendar aquele vestido da nossa mãe, em vez de comprar um exactamente igual na loja? O que faz com que as empresas estejam dispostas a pagar a outra empresa para fazer um serviço que elas mesmo, internamente, poderiam realizar?

Opostamente ao que inicialmente se poderia pensar (e contrariando uma antiga tendência), os custos para uma empresa realizar um serviço a nível interno são muito superiores do que uma subcontratação. Quer seja por uma maior especialização a nível de investimento, uma maior existência de recursos de capital (físico e financeiro), ou por uma “utilização pensante” do investimento tecnológico (que permite fazer mais com menos e optimizar a produção), a empresa contratada não só realiza o serviço com o mesmo afinco, como ainda o faz por menores custos e superior eficácia.

Para que vou comprar um vestido igual, se o posso arrendar à minha mãe? Só ia gastar mais dinheiro!

Desvantajosamente, o outsourcing pode ser uma moeda de duas faces: se tanto de bom pode fazer, também o mau pode trazer.

Esta cooperação pode ser uma perfeita “saia-calça”: ao olhar parece uma saia, mas por dentro verificamos queRS_outsourcingprocurarlaforaoquecustacadentro_destaque a realidade é bastante diferente. Constantemente tomamos contacto com situações deste género – esquemas de corrupção que, através do sistema de offshore outsourcing, permite a comunicação com “empresas fantasmas” que, por sua vez, nada mais são do que maneiras de desviar e lavar o dinheiro que circulava na empresa contratante.

Outro risco primordial que se sente com grande impacto no nosso país, passa pela possibilidade de despedimento pela descentralização de serviços da empresa original (que se afigura à “mãe” da nossa realidade metafórica) para uma organização estrangeira (que corresponderia a uma qualquer loja no shopping). Situação esta que é tipificada pelo aumento da taxa de desemprego no país de origem e combinada com a desumanização dos trabalhadores no país de “chegada”- denúncias deste cenário no mercado de outsourcing da India é nos trazido pelo Wall Street Journal, em “The seven signs of India’s Outsourcing apocalypse”.

Provando que os benefícios ultrapassam claramente os eventuais “problemas”, existem distintos e variados livros de coaching empresarial, que permitem às empresas aplicar o outsourcing – das quais se destaca pelo número de exemplares vendidos, The outsourcing process: strategies for evaluation and management, de Ronan McIvor.

Estando nós na Era das tecnologias, não poderíamos deixar de referir apps que estimulam, também, à concretização deste mecanismo, das quais se destacam “Outsourcing IQ” para a gama de produtos Apple.

Em Portugal, também esta “febre” se vem a sentir. Surgindo diversas empresas como: AdeccoOutsourcing Portugal; Kelly Services Portugal; Egor Outsourcing Portugal; OutMarketing. Empresas estas que vêm o seu trabalho facilitado com o surgimento da Associação Portugal Outsourcing.

Este organismo nacional pretende promover o outsourcing. Para tal, concentra as várias empresas dispostas a utilizar este mecanismo como forma de fomentar a economia, desenvolver os negócios particulares e reduzir os custos extrapolares que estão geralmente relacionados com o sector das “TI e Processos” (como se pode ler no site).

O seu trabalho tem sido de tal modo produtivo, que graças à realização de campanhas de promoção do outsourcing em Portugal, o nosso país encontra-se no top 30 dos melhores destinos para a aplicação deste mecanismo.

Nesta notícia reitera-se, ainda, o impacto positivo do outsourcing na economia nacional:

“A Portugal Outsourcing estima que o outsourcing de TI e processos em Portugal venha a representar 1,3% do PIB em seis anos, originando ganhos de produtividade anuais para a economia nacional que poderão ser superiores a 1,5 mil milhões de euros. As empresas associadas acreditam que o seu setor pode criar 12 mil novos empregos líquidos em Portugal nos próximos anos, com importante parte dessa evolução a ser gerada pelo mercado internacional e pela Administração Pública.”

Será esta a resposta ao aumento da taxa de desemprego que se tem vindo a sentir, no nosso país? Conseguirão as empresas colaborarem para saír da crise de forma eficiente? Podemos esperar respostas a estas perguntas em menos de 5 anos, no mercado português, se se continuar a verificar esta tendência crescente de aplicação do “Outsourcing”, a nível internacional.

É caso para dizer que “o que é do vizinho sabe sempre melhor”!

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Raquel Soares

Aluna de Direito na Universidade Do Minho com uma paixão por livros, filosofia, psicologia e o mundo. Não procuro um mundo melhor, mas esforço-me para construí-lo! Sou activista da Amnistia Internacional em Portugal e participante em projectos que visam a dinamização e a efectivação dos Direitos Humanos. Membro da Associação Universitária de debates nacional e colaboradora da ELSA UMinho.

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