O caminho do cisne

Em que ponto acreditamos que descobrir a nossa própria identidade era sinónimo de sucesso?

Desde a nossa infância que somos bombardeados por estereótipos. Paradigmas que, como sociedade, admitimos como normais e aceitáveis. No entanto, o que acontece quando um de nós tem a audácia de ser diferente e questionar esses padrões de normalidade? Olhar e pensar de maneira diferente torna as nossas vidas mais difíceis?

A história do patinho feio veio não é só para explicar a diferença entre patos e cisnes, mas também o esforço de cada um de nós para nos assemelharmos aos outros. Não porque seja melhor, mas porque é indicado para a nossa sobrevivência. A falsa segurança de imitar a maneira de olhar e pensar dá-nos a sensação equivalente a pertencer e viver juntos de forma estável.

É que tudo que põe em xeque os nossos pré-conceitos, tanto pessoais como da sociedade, representa uma ameaça à estabilidade da estrutura em que vivemos. E é aí, nessa guerra de trincheiras entre patinhos e cisnes, que cada um escolhe o seu lado.

Agora, como é que os patinhos feios se reconhecem?

Hans Christian Andersen explica-nos com a sua história que o primeiro sinal de estar no caminho do cisne é o isolamento e o sentimento de não pertencer. Percebemos que algo não se encaixa e, por detrás disso, julgados. Porque é assim que a sociedade dos patos se defende das ameaças e tenta neutralizá-las.

Mesmo assim, aparecem ao longo desse caminho seres e situações que ajudam a entender o que está a acontecer e permitir-nos reconhecer o potencial de cada indivíduo. Esse auto-reconhecimento é essencial, a chave que vai libertar os cisnes de ficarem presos numa vida de patos.

No entanto, para aqueles que quebram os moldes, a vida não será fixe. O preço do caminho do cisne é o desapego, a frustração, a dúvida, os medos e a solidão.

Contudo, sempre há uma luz no fim do túnel. Como na história, o destino dos cisnes é encontrar aquela lagoa onde possam ver o seu reflexo e descobrir a sua verdadeira identidade.

Reconhecer-se como cisne será o primeiro passo dos patinhos feios para conseguirem identificar a própria espécie e juntos descobrirem que o que foi criticado por todos é, na verdade, uma plumagem bela e única.

Share this article
Shareable URL
Prev Post

Transição digital – ponto de situação!

Next Post

Sweet Tooth

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Read next

Os Nossos Velhos

Um tema que, sem dúvida, devemos ter em consideração no nosso país são os velhos. E sim, chamo-lhes velhos,…

Inês de Castro

Inês de Castro, fidalga galega de rara formosura, fez parte da comitiva da infanta D. Constança de Castela,…

Esperança

O ano de 2016 não foi propriamente uma simpatia para o Mundo. O medo e a insegurança ganharam terreno e todos se…