Ambiente

Queres ser meu padrinho?

É ideia comum que as revistas femininas são, regra geral, muito dadas à futilidade. É um preconceito. E porque estou a falar nisto agora? Porque foi numa dessas revistas que me foi apresentado o conceito de apadrinhamento animal. Como? Eu explico tudo, tudo

O apadrinhamento animal é uma forma, entre outras, de apoiar as associações que albergam animais abandonados. O objectivo, para além duma contribuição financeira mensal de valor perfeitamente aceitável, é proporcionar, ao cão ou gato, algum tempo de qualidade com o padrinho, a ele dedicado em exclusivo, contribuindo para a sua sociabilização e divulgação para potencial futura adopção. Assim, ser padrinho pressupõe visitas ao afilhado, passear com ele, mimá-lo, tendo em conta as suas capacidades e personalidade. Se o cão for jovem, poder-se-ão dar passeios no exterior, proporcionando a este algum exercício, bem como dar a conhecer-lhe outros ambientes. Se o animal for mais idoso ou tiver limitações, podemos fazer um passeio mais curto, ou apenas ficar na box ou no pátio, a mimá-lo com uns biscoitos, festas e escovagens.

Esta situação pode ser uma hipótese muito viável para quem aprecia o convívio com os animais, mas por razões de ordem diversa não os pode ter em casa, ou mesmo no caso em que já se tem alguns. Por outro lado, pode perfeitamente ser a pré-câmara duma adopção planeada e faseada. Por meio de visitas frequentes, padrinho e afilhado vão-se conhecendo, tem-se uma ideia mais concreta do comportamento e pode mesmo coadjuvar a entrega para adopção pela associação. Não sendo possível culminar na adopção, são momentos que fazem a diferença nos animais que passam grande parte do dia em boxes, por muito boa vontade que seja a das associações e a dos voluntários que basicamente as sustêm.

Os voluntários têm várias tarefas a realizar no canil, como sendo a limpeza, a feitura das camas, a reposição de comida e água, a lavagem de mantas, a tomada de medicação, etc. Como se compreende, o tempo para mimos é exíguo, e fica sempre muito aquém da vontade destes, até porque entre voluntários e animais  vai-se estabelecendo uma relação quase diária. Daí a importância dos padrinhos, com um tempo dedicado, fora da rotina maquinal de cuidados.

A existência destes é especialmente crucial no caso de animais traumatizados, receosos ou idosos. Ser padrinho é construir uma relação de confiança com o afilhado, demonstrando que há mais mundo para além do abrigo, e que nem todos os humanos são como os intratáveis que conheceram até então. São também os padrinhos que, conhecendo o seu afilhado, podem mais facilmente reconhecer alterações físicas ou de comportamento, alertando a associação para o facto,  o que se torna mais difícil para os voluntários que se  debatem diariamente com centenas de animais a quem não podem dar detalhada atenção individualizada

Já tive 5 afilhados, a quem pareço dar sorte, porque têm sido todos adoptados, e me fazem procurar um novo afilhado. É muito gratificante a alegria com que se deixam cativar, nos aceitam, e nos recebem com saltos e beijos de contentamento. Pensamos neles nos dias em que não os visitamos, procuramos um brinquedo ou uma capa para lhes levar, ou mesmo aqueles petiscos que tanto apreciam.

Se queres ajudar e não sabes como, que tal deixares-te seduzir por um animal que viva numa associação perto de ti, com quem possas partilhar algum do teu tempo? Arrisco dizer que são os padrinhos que mais beneficiam, ou pelo menos é o que sinto,  venho sempre de coração cheio, ansiando pelo próximo encontro.

Sandra Ramos

Sou formada em Gestão, com especialização em Transportes Marítimos e Gestão Portuária, área onde desenvolvo a minha actividade profissional. Sou adepta da causa animal e voluntária ocasional. Comecei as minhas aventuras na escrita em 2017, com uma Menção Honrosa num Concurso de Autores, tendo a partir daí participado em 4 Antologias e num Concurso de Speed Writing. Edito uma página e blogue do mesmo nome: Escrevinhar / Sandra Ramos, e fui cronista na revista on line Bird Magazine. Descobri que não vivo sem escrever. Apercebi-me, também, que são as nossas características temperamentais mais difíceis que nos aproximam das pessoas com ousadia suficiente para nos amarem.

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