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Mudar de país não significa apenas mudar de casa

mas também de cultura

Sempre que vejo as imagens que a comunicação social passa sobre refugiados que abandonam os seus países, se lançam sem destino por terra ou por mar pelo mundo fora, apenas não querem continuar na miséria e tristeza em que vivem, questiono-me interiormente sobre o desespero que aquela gente tem nos seus corações.

Mas também nestas situações existem casos de sucesso, em que estas pessoas conseguem alcançar um destino, que não sendo muitas vezes de sonho reúne pelo menos aquelas que são as condições mínimas a que um qualquer ser humano se deve sujeitar, há limites abaixo dos quais ninguém deveria ser condenado a viver.

Quando a vitória se alcança e um destino melhor é possível, começam tudo de novo, coração cheio de esperança e uma alma nova que lhes dá a força suficiente, para abraçar o mundo de novas oportunidades que tanto desejam, e que desta vez talvez seja possível alcançar.

Mas esta mudança a que muitos se veem obrigados resulta também ela numa nova série de hábitos que mais do que de âmbito pessoal são nomeadamente culturais, e também acontece com os emigrantes que não estando em situação de tal desespero, também eles são empurrados a sair do país.

E porque a mudança de país não é apenas uma mudança física, territorial, ela carrega consigo muito mais do que isso. Se por um lado, quando vêm para um novo pais, cada pessoa traz consigo os pertences mínimos que conseguiu reunir antes de partir, por outro lado, carrega na sua alma uma cultura e um modo de vida que é muito próprio do seu país e das suas gentes. É mesmo uma questão de cultura, quase de sangue.

Estas mudanças implicam sempre um necessário arrumar, ou guardar em qualquer canto da alma o que faziam nos seus países, os hábitos e costumes que habitualmente tinham, alguns persistem naturalmente porque muitos traços culturais que temos são intrínsecos à nossa forma de ser e estar na vida.

Há hábitos, gostos e gestos que não conseguiremos mudar nunca, nascemos com eles, foram-nos passados pelos nossos avós, vividos em família e fazem mesmo parte de nós.

Percebemos muito estes detalhes nos emigrantes, que noutros países tendem a criar pequenas comunidades onde se possam juntar com aqueles que partilham um mesmo amor, o seu país natal.

Esta mudança de país que se opera é toda ela repleta de dificuldades, não apenas as que estão associadas à questão física da mudança propriamente dita, mas sobretudo as dificuldades da alma, aquelas que são tão mais difíceis de ultrapassar.

São por vezes hábitos que têm de ser vividos em isolamento, porque os outros à nossa volta não iriam entender, formas de estar que tem que ser adaptadas e tantas vezes completamente alteradas, para que verdadeiramente estas pessoas se consigam realmente sentir integradas na que é agora a sua nova realidade e no fundo a vida nova que escolheram.

Com dor? Naturalmente acredito que sim, esta mudança carrega sempre este sentimento de pesar, da dificuldade em deixar o que naturalmente era nosso, para abraçar uma nova vida, que pode nunca vir a ser a nossa, ou pelo menos, não aquela que um dia sonhamos ter.

Ana Paula Marques

Assumo sem qualquer tipo de pudor o grande gosto imenso que tenho pela escrita, e pelo ato de escrever palavra após palavra... na construção de momentos de reflexão e procurando embelezar os nossos dias. Verter palavras transformando-as em textos, são momentos de criatividade que me fazem mais feliz, e que espero, possa transformar de algum modo a vida de quem lê o que escrevo com tanto amor!

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