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Era uma vez…

Os contos infantis da Disney, conhecidos e adorados por pequenos e graúdos, possuem a magia de fazer-nos viajar pelo magnífico e fantástico.

Entre príncipes e princesas, aventuras e desafios, o bom e mau e finais felizes, a Disney tem a particularidade de nos adoçar o espírito e a capacidade de nos fazer sonhar!

O toque especial e o brilho que Walt Disney construiu abrange-nos desde os anos 50 e se, todos os dias, recordarmos que “tudo começou com um rato” como o próprio disse, faz-nos, efectivamente, acreditar!

Contudo, porém, os contos que hoje conhecemos, têm uma origem obscura, macabra e mórbida por pena dos irmãos Grimm (séc. XVIII e XIX), Christian Andersen (séc. XIX) e Giambattista Basile (séc. XVI e XVII).

Não querendo, de todo, destruir os sonhos e fantasias dos fãs dos contos da Disney (eu sou aficionada por eles, por isso, não me condenem!), sugiro que, a partir deste momento, este artigo seja direccionado apenas para maiores de 18 e/ou para todos aqueles que não se importem de ver as nossas eternas Princesas com outros olhos…

Estará por contagem decrescente, do menos obscuro ao mais macabro. Portanto, terão sempre em mente que à medida que irão avançar, a história tende a piorar.

Preparados para destruir a vossa infância em 7 passos?

A Bela e o Monstro, de Gabrielle-Suzanne Barbot

A Bela e o Monstro, Disney

Na  versão original, a Bela e o Monstro apaixonam-se exactamente como na Disney. Após juras de amor e promessa de regresso ao castelo por parte de Bela, ela visita a família incluíndo duas irmãs. Contudo, estas prolongam a visita de Bela propositadamente, por ciúme e inveja, com o intuito de irritar o Monstro para que este a devore. Nesta versão, a intenção das irmãs fracassa e Bela e o Monstro viveram felizes para sempre.

Numa outra versão, de Ludwig Bechstein, Bela transformara o Monstro como seu animal de estimação e urso de peluche gigante, as suas irmãs afogam-na e, como vingança, o Monstro transforma-as em colunas de pedra no seu castelo.

Branca de Neve e os Sete Anões, dos Irmãos Grimm

Branca de Neve e os Sete Anões, Disney

Na história do século XIX, a madrasta malvada é, na realidade, a própria mãe de Branca de Neve e, para além desta ligação profunda e visceral, não fez com que a Rainha se coibisse de querer matar a Branca de Neve e comer o seu coração  e fígado (há uma outra versão que ainda acrescenta os pulmões). No fim, o Príncipe acreditando que a nossa princesa mais antiga da Disney está, efectivamente, morta, beija-a infrutuosamente. A Branca de Neve cai do caixão, o pedaço da maça desloca-se da garganta e esta acorda. O amor vence, acabam por casar-se e obrigam a Rainha dançar no copo-de-água com uns sapatos incandescentes até morrer.

A Pequena Sereia, de  Christian Andersen

A Pequena Sereia, Disney

Ao contrário da Disney, era um sofrimento atroz para Ariel andar sobre as duas pernas. Seria como andar em cima de estilhaços de vidros onde a agonia e dor prevaleciam. A vilã Úrsula, não apenas a enfeitiçou e fez com que a Ariel ficasse sem voz como lhe cortou a língua. Tudo por amor que pouco serviu à Ariel pois o Príncipe casa-se com outra, com aquela que ele julga que o salvou. Ariel tem a possibilidade de voltar a ser sereia se o matar e deixar escorrer o sangue pelas suas pernas. Ou isso ou se transformaria em espuma do mar. Para o autor, Ariel, no fim, transforma-se em espuma do mar.

Pinóquio, de Carlo Collodi

Pinóquio, Disney

Na versão de Collodi, Pinóquio foge de casa e, quando o Grilo tenta dar-lhe bons conselhos, este mata-o com um martelo, sem dó nem piedade. Entretanto, ele consegue falar com mortos (incrível!) e é perseguido para a forca. Contudo, Pinóquio consegue fugir e, no fim da história, ele fica à beira da morte enquanto o avô Gepeto é engolido por um tubarão e não por uma baleia.

Cindrela, dos Irmãos Grimm

Cindrela, Disney

Na história dos irmãos Grimm, a Fada Madrinha não existe mas o amor vence e a Cinderela e o Príncipe casam-se. No entanto, antes deste desfecho feliz, uma das irmãs amputa os dedos dos pés e a outra o calcanhar para o sapato de cristal servir. São denunciadas pelo sangue no sapato e rejeitadas, evidentemente, pelo Príncipe. Quando estas tentam ir à festa de casamento da Cinderela, os olhos das irmãs são perfurados pelos pássaros, seus eternos amigos leais. Mais tarde, Cinderela mata a Madrasta partindo-lhe o pescoço.

Peter Pan, de J.M. Barrie

Peter Pan, Disney

O conto original não difere muito com o conto da Disney, excepto onde o Peter Pan matava as crianças quando estas envelheciam para não haver sobre-população na Terra do Nunca.

Bela Adormecida, de Giambattista Basile

Bela Adormecida, Disney

A par com a versão da Disney, Aurora também cai em sono profundo após cravar o dedo na roca. Contudo, no conto original, Aurora tem dois filhos fruto da violação cometida pela Príncipe enquanto dormia profundamente. Segundo a história, a nossa Bela Adormecida é acordada pelos seus dois filhos quando estes choram famintos. Os bebés sugam o dedo da mãe e retiram o linho enterrado na carne. Outra versão mais antiga, descreve-nos uma cena de canibalismo (in)consciente protagonizado pelos recém-nascidos para com a própria mãe devido à fome extrema.

E nem todas as personagens viveram felizes para sempre!

Após esta matéria de resumos e destruição de sonhos de infância, nunca é demais relembrar que há uma imensidão de versões destes contos, supostamente, originais, chegando ao ponto de ser quase imperceptível saber qual foi a primeira história ser escrita.

Contudo, devemos concordar que não há nada melhor que ler os contos originais, ou dos quais que se tenha conhecimento de o serem e, após leitura e análise, escolher a versão que mais gostarmos.

Por questão pessoal e de lealdade para com a minha infância, escolho a  versão da Disney! Apesar de já ter passado dos 30, não me envergonha – em nada! – de clamar aos céus que sou fã acérrima de Walt Disney e da sua versão dos contos! Por essa razão, possuo, na minha colecção pessoal cinematográfica, todos os desenhos animados da Disney para nostálgicas memórias.

Mesmo que esta colecção pessoal não valha para outros, para mim, vale milhões!

E tudo começou com um rato!

– Walt Disney

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Rita Morais de Oliveira

Sem apresentações hollywodianas, nasci em 1988 no Nordeste Transmontano, Portugal. Encontrei o meu habitat na escrita desde que comecei a ler e a escrever. Nos meus tempos livres, além de Freelancer de Conteúdos, também sou uma aspirante escritora em (eterna) construção e indiscutivelmente contra o Novo Acordo Ortográfico. Com dois contos editados nas Antologias "À Margem da Sanidade" e "O Penhasco"; outro publicado na Revista Pulp Fiction e um livro em criação. Prevalece sempre o mesmo género literário: policial, thriller, suspense e algum terror psicológico. Como o nosso velho amigo Albert Einstein disse: "Criatividade é inteligência divertindo-se."

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