Crise – fim ou reinício?

Vivemos tempos desafiantes. O mundo parece desabar a todos os níveis e colapsar a qualquer momento. Mas, e se esta crise for, na verdade, um convite à mudança?

Como enfrentar, então, toda esta situação que nos afeta em várias vertentes (social, ambiental, política e pessoal)?

É essencial que cada um de nós a perspetive sob uma ótica diferente, se quisermos manter alguma sanidade. Cabe-nos encarar a crise como um motor impulsionador para a mudança de paradigma tão essencial na nossa vida neste momento.

Como indivíduos, temos o poder de fazer a nossa parte, sem, contudo, perdermos a nossa conexão com a realidade. Começar por mudar a perspetiva individual face à crise deve ser o ponto de partida, como já mencionei. Sendo sempre fiéis aos nossos valores, urge: reconhecer que a crise é o combustível para o sucesso; alimentar a resiliência (não seguindo “o rebanho” cegamente); desenvolver o estado de gratidão diariamente; superar a vergonha, a ansiedade, o choque e a amargura, entre outras coisas.

Cuidar de nós próprios para manter a nossa clareza mental é primordial. Praticar o autoconhecimento através do silêncio, meditação, reflexão diária, escrita, leitura, pintura, etc, evita que se caia no caos externo. Saber PARAR é essencial.

Há tantos procedimentos que devemos seguir no nosso dia a dia e que nos podem desenvolver a resiliência: ter uma rotina saudável no que diz respeito ao sono, alimentação, exercício físico, contato com a natureza.

Não descurar a busca contínua de conhecimento a fim de compreender o contexto a nível político, económico, tecnológico e ambiental. Conhecimento dá-nos poder.

Muito importante também é reduzir o consumo e incrementar independência, simplificando a vida material para encontrar liberdade e estabilidade perante as incertezas.

A nível social: criar grupos de solidariedade e apoio mútuo para fortalecimento dos núcleos familiares, associações, etc. Acredito que unidos vamos mais longe (apesar de ser um cliché); trabalhar em projetos coletivos como hortas urbanas, feiras, bibliotecas comunitárias, ajuda a incrementar a cooperação entre todos; promover o diálogo e a empatia (uma disciplina que deveria haver nas escolas), escutando ativamente, mesmo quem pensa diferente e saber colocar-se no lugar do outro.

A redefinição de valores é urgente. Reencontrar o nosso propósito e sentido de vida (também a nível espiritual e ético) e o equilíbrio.

Acumular menos e contribuir mais, cultivar a compaixão através de uma ética de cuidado, e a esperança, que consiste em agir apesar das incertezas.

Será, porventura, uma utopia, (pensarão muitos), pois nos tempos atuais de correria diárias para “ter” e não para “ser”, a maioria não tem sequer tempo para fazer uma reflexão mais profunda.

Se cada um de nós tentar fazer com que a mudança aconteça, a crise se afastará aos poucos. Começando em nós, surgirá a expansão para o coletivo.

Ao estabelecermos um plano estratégico pessoal e comunitário com ações a curto, médio e longo prazo, estaremos a contribuir em pleno para o fim necessário desta crise global. Todos temos, como indivíduos, um papel preponderante na transformação para um mundo melhor.

A fé e a esperança deverão “mover montanhas”. Acreditar que é possível que o nosso planeta se transforme num lugar onde todos serão UM em prole do bem-estar comum, onde não existirão guerras, nem lutas de poder, é o que nos deve mover, desde já.

A crise pode ser o início de um novo ciclo.

Que cada um de nós escolha ser parte da mudança!

NOTA: Este artigo foi escrito segundo as regras do Novo Acordo Ortográfico.

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