Barack Obama: De bestial a besta. Até ao próximo capítulo…

A 56ª eleição do Presidente dos EUA, em 2008, irá ficar para a história como um dos acontecimentos mais marcantes do século XXI. Barack Obama foi eleito presidente e pela primeira vez, um afro-americano foi nomeado chefe da nação mais poderosa do mundo. Toda a campanha eleitoral do candidato democrata não só foi inédita por conseguir eleger um político afro-americano, como foi única em termos de popularidade. Por onde Obama passava, o efeito fazia se sentir levando multidões e milhões de pessoas, em todas as partes do mundo, a contribuir com mensagens de apoio ou donativos, tornando Obama num fenómeno de popularidade. Volvidos quatro anos, a aura parece se ter esfumado e apesar de reeleito o Obama do segundo mandato encontra-se numa posição totalmente diferente do Obama do primeiro.

Por um lado, aqueles que o idolatravam pelo seu lado mais humano e igualitário,  agora o acusam de faltar com a sua palavra ao ter fracassado com um dos objectivos que reuniu mais “fãs” na sua primeira campanha eleitoral: o fecho de Guantánamo. Apesar das tentativas, e de recentemente ter sido nomeado o advogado de renome, Clifford Sloan, para reabrir o sector do Departamento de Estado encarregue de fechar a prisão de Guantánamo, são muitos os que já vêem com uma miragem esta possibilidade.

Quando reeleito para o seu segundo mandato, o presidente fez questão de reforçar que a batalha a favor da extinção da prisão de Guantánamo não está esquecida, comprometendo-se a renovar esforços para que, desta vez, o processo seja concluído. Desta forma, Obama pretende acalmar os ânimos junto daqueles que sempre foram seus apoiantes, tentando recuperar a popularidade que outrora gozou.

Do lado dos “inimigos”, a situação instável do país, de uma economia que teima em não recuperar consumindo milhares de postos de trabalho por dia, e o desagrado de muitos norte-americanos perante a reforma do sistema de saúde, são as brechas que os eternos rivais, os republicanos, têm utilizado para explorar esta perda de popularidade de Obama, conquistando, novamente, passo a passo, o povo norte-americano. Embora tenham saído derrotados das últimas eleições, os republicanos conseguiram diminuir a desvantagem. Obama saiu vencedor, mas por uma margem mínima espelhando a indecisão política do eleitorado.

Ainda os recentes escândalos associados à Casa Branca, como as acusações de espionagem cibernética aos cidadãos norte-americanos e à agência de notícias, Associated Press, e o caso dos impostos, que detectou princípios de discriminação fiscal contra organizações associadas ao Tea Party, a ala mais conservadora dos republicanos, estão a minar a confiança no presidente reeleito e colocam já em escrutínio o segundo mandato de Obama e o seu desempenho.

Dando uma resposta de força e autoridade, o director do departamento de impostos, Steve Miller, foi prontamente demitido e uma investigação, que será conduzida pelo FBI, foi instaurada a fim de se apurar se houve delito criminal. “Não tolerarei este tipo de comportamento nas agências governamentais, muito menos no IRS”, afirmou o presidente, em Maio, na conferência de imprensa onde anunciou a demissão do responsável do departamento.

Esta resposta pronta e eficaz de Barack Obama recordou a alguns o homem que chegou à presidência em 2008, com um sentido de justiça, de igualdade e a vontade de mudar a forma como o mundo vê os EUA. Mesmo  que agora a sua popularidade esteja em queda nos EUA (porque na Europa continua a ser adorado), Obama ainda tem em si as qualidades que fizeram dele o líder carismático que venceu o prémio Nobel da Paz, em 2009. No capítulo de hoje, Obama é a besta, no próximo poderá voltar a ser bestial.

 

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