Ainda a Grécia

Presidente russo e primeiro-ministro grego encontraram-se quarta-feira. No final da reunião, foi anunciado um plano de ação conjunta para os próximos dois anos.

Volto ao tema Grécia para dar nota da minha preocupação com o actual estado de coisas.

Não me preocupa que o Primeiro-ministro Grego faça o seu jogo de pressão sobre a Zona EURO que teima em não ajudar os Gregos a sair do buraco em que os meteram em nome de uma Política Económica/Financeira comum. Tudo isto é Política. Assim como também não me preocupa a aproximação em forma de cooperação entre Gregos e Russos até porque é natural que Países do mesmo continente se entendam e cooperem em conjunto para se evitar a possibilidade de as Guerras poderem voltar.

O que realmente me preocupa é a “guerra de Surdos” que se instalou na Zona EURO da União Europeia.

Segundo a nossa parcial Imprensa que está descaradamente do lado de quem está no Poder, a Europa “não reagiu” a esta aproximação de Putin. Segundo esta os Líderes Europeus parecem ter ficado satisfeitos com a explicação de Tsipras que disse publicamente não ter ido “pedir esmola” á Rússia. A única suposta reacção (tímida reacção diga-se desde já) cifrou-se num pedido da parte das Instituições Europeias para que a Grécia chegue a acordo com estas muito em breve para se resolver o impasse em que se encontra o Resgaste Grego.

Contudo ainda há bem pouco tempo esta nossa Imprensa deu-nos a saber nos seus pequeníssimos rodapés de que a hipótese de se expulsar a Grécia da Zona EURO ainda está em cima da mesa.

Não é por nada, mas se alguma vez a Grécia for expulsa da Zona EURO a seguir irá Portugal. E depois será a vez de Espanha, Irlanda, Itália, França e por aí adiante. Isto porque este é o caminho fácil quando algo não corre como o desejado.

É preciso ter-se em linha de conta que nem todos os Países do EURO têm o contexto geográfico-político da Alemanha e amigos do Norte da Europa. A Grécia, por muitas reformas que possa fazer, não será nunca como a Dinamarca por exemplo. O mesmo se pode dizer de todo o Sul da Europa. Não existe uma varinha de condão que faça com que as Economias de todos os Países do EURO sejam competitivas, produtivas e senhoras de um mercado de trabalho flexível e competitivo. Por muito que a Europa não queira a Europa do Norte continuará a ser a Europa do Norte e a Europa do Sul nunca deixará de ser a Europa do Sul.

Por tudo o que aqui expus preocupa-me que as Instituições Europeias tenham optado pelo silêncio no que ao assunto Grécia diz respeito. É que o mal dos Gregos é o mal de todos e não será cortando um braço ou uma perna que o problema se resolve. O que é preciso é sensatez, boa vontade, menos rótulos e mais cooperação com os Gregos (e Russos já agora) para ver se a União Europeia volta a ser aquilo que já foi em tempos idos: uma União no verdadeiro sentido do termo!

p.s. Há um ponto que a nossa parcial imprensa tem maldosamente esquecido de referir… A Grécia poderá ser expulsa da Zona EURO mas continuará a fazer parte da União Europeia! Terá a sua piada ver como irão funcionar as Instituições Europeias se algum dia tal vier a suceder.

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