O Amor é Tudo

Há uma força para a qual a ciência ainda não encontrou uma explicação formal. É a mais invisível e poderosa das energias, que contém e comanda todas as outras. É o Amor, a verdadeira teoria de tudo.

O amor é como uma mala infinita, tão leve e ilimitada no seu recheio, à qual, ao longo da vida, vamos acrescentando porções de tudo quanto pode engrandecer a nossa existência e da qual vamos extraindo o que faz aumentar a dimensão do outro, num entra-e-sai de valores que elevam a grandeza do amor. Uma mala que nunca se esgota nem rebenta, pela sua incomensurabilidade. O amor é a tal potência que Albert Einstein falou na última carta dirigida à sua filha Lieserl, na qual escreveu assim: “se no lugar de E=mc² aceitamos que a energia necessária para sanar o mundo pode ser obtida através do amor multiplicado pela velocidade da luz ao quadrado, chegaremos à conclusão de que o amor é a força mais poderosa que existe, porque não tem limite.”

E se o amor é a força mais poderosa do universo, porque razão os cientistas ainda não inventaram a bomba do amor para destruir todo o mal que assola o nosso planeta? Talvez porque o amor seja a única energia do universo que a humanidade ainda não aprendeu a controlar e, pelo seu infindável e extraordinário poder, é também provocador de medo…

Madre Teresa de Calcultá dizia que a maior de todas as pobrezas é a falta de amor. Já Luís de Camões aclamou o amor como um fogo que arde sem se ver e um cuidar que ganha em se perder. E os Expensive Soul cantam o amor é mágico. Entre tantas definições de amor, uma coisa é certa: a sua carência afasta as pessoas umas das outras, contrariamente à sua existência, que faz com que sejamos atraídos uns pelos outros. Mas, afinal, o que é o amor? Será gravidade?

Vá-se lá explicar o amor! Muitíssimo mais do que palavras, talvez o amor seja o que fazemos e o que somos em crescimento e em boas acções. Talvez seja permitirmos ao outro Ser e fazer mais e melhor. Talvez seja a nossa capacidade de extrair o melhor do outro. Talvez seja ser e ver essência. Talvez seja darmos o melhor de nós em tudo o que fazemos. Talvez seja nos permitirmos Ser. Talvez seja estar em paz. Talvez seja o que faz com que não entremos em extinção.

O amor é muito mais do que querermos estar perto de quem amamos. É deixar ir e aceitar a distância, se for para realizar os sonhos do outro, mesmo que a milhares de quilómetros. O amor talvez seja estarmos presentes na sintonia dos sonhos e no magnetismo da alma. Esta é, possivelmente, a definição mais próxima de Amor. Mas é tudo talvez… porque o amor não se explica, apenas se sente de uma forma genuinamente fantástica. Já dizia Fernando Pessoa, “quem quer dizer quanto sente / fica sem alma nem fala / fica só, inteiramente!” Entre tantos e tão diversos que somos, o Amor torna-nos Unos e inteiros num inquebrável laço invisível.

E que não se confunda amor com paixão, com apego ou com sentimento de posse. O amor é respirar livremente e deixar o outro respirar em liberdade. É ser verdadeiro e deixar Ser. É estar de bem com a vida. É dar sem querer nada em troca, a não ser também amor. É ficar feliz com a felicidade do outro. É fazer o outro feliz. É a razão da nossa existência. É a nossa maior riqueza. É o que nos aproxima e nos afasta.

O amor é potência, porque multiplica o melhor de nós. O amor não tem género nem cor. Não tem raça nem credo. O amor constrói, educa, respeita e faz crescer. O amor é luz, já que ilumina quem o dá e quem o recebe. O amor, ou a falta dele, descobre-nos. O amor é simples. É mesmo, o amor é mágico!

Há uma teia que é tecida por quem passa por nós, e nos deixa algo de si, e por quem leva um pouco de nós consigo. Essa teia faz com que  estejamos todos ligados por uma rede invisível, mesmo dos que partiram fisicamente. E se por algum motivo um fio da teia se gastar, há um elemento reparador que o une e nunca o deixa rebentar… O amor. 

M. Manuela Gonçalves Pereira

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