Big data: a fórmula secreta

São activadas todas as ferramentas para ganhar a corrida à Casa Branca. Procura-se a fórmula secreta que permite somar mais votos. E, pelo menos na ficção, encontra-se. O Big Data entra na batalha pela presidência dos EUA. Contudo, esta técnica já não é mera ficção. Foi responsável pelo sucesso de House of Cards e é já utilizada por muitas organizações.

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Há uma nova estrela no mundo ficcional da política norte-americana. É Will Conway, o republicano que entra na corrida presidencial contra Frank Underwood, na quarta temporada de House of Cards.

Em Março, foram activadas todas as ferramentas para ganhar esta corrida à Casa Branca. Procurou-se a fórmula secreta que permite somar mais votos. E Will Conway foi o primeiro a encontrá-la. Assim, ficou à frente nas sondagens, mas não por muito tempo.

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A fórmula secreta é o Big Data. Conway começa a usar os dados recolhidos através do Pollyhop, um motor de busca fictício similar ao Google. E, a partir das pesquisas feitas pelos utilizadores, consegue moldar a campanha em função daquilo que os cidadãos norte-americanos querem. Como diz Frank Underwood num dos seus monólogos, “Conway tem uma arma poderosa (…) e é poderosa porque, com ela, ele pode identificar o que tu pensas, o que tu queres, onde tu estás e quem tu és”. Esta técnica permite-lhe identificar os interesses dos cidadãos norte-americanos, conhecer os seus eleitores. E esse é um grande trunfo.

Para contra-atacar, Underwood decide usar também esta fórmula secreta, aproveitando as regalias de um presidente. Com o pretexto de utilizar as ferramentas da Agência de Segurança Nacional (NSA) para lutar contra o terrorismo, usa o cientista de dados Aidan Macallan para conseguir ter vantagem.

O Big Data entra, então, nesta batalha pela presidência dos EUA. Contudo, esta técnica já não é mera ficção. Aliás, é a responsável pelo sucesso deste drama político.

Esta ferramenta é utilizada pelo Netflix para garantir o êxito dos seus produtos. A empresa norte-americana analisa o comportamento e os hábitos de milhões de espectadores para prever o sucesso ou insucesso dos seus produtos.

Esta multinacional sabe o que vêem os utilizadores, quando, onde, em que dia e muito mais. Os dados recolhidos pela plataforma permitem compreender de que gostam os espectadores e, por isso, foi possível saber que a audiência iria reagir bem a um drama político que tivesse como director David Fincher. Foi, então, baseada na informação recolhida que surgiu House of Cards.

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O Netflix não é, contudo, o único a lucrar com esta técnica. Já são muitas as empresas que usam os dados para compreender o que procuram os utilizadores e, em alguns casos, os potenciais clientes. Além disso, mais recentemente, tem sido usada por entidades governamentais com o objectivo de agir contra a fraude e contra o terrorismo.

O Big Data foi potenciado pela Internet e pelo aumento do volume de informação. Num minuto, só o Google processa 2,4 milhões de pesquisas e 70 mil pessoas fazem login no Facebook. Gera-se, então, uma grande quantidade de dados a cada minuto. E as empresas vêem esta informação como uma ferramenta comercialmente vantajosa.

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Os consumidores dão voluntariamente esses grandes volumes de informações pessoais, nomeadamente através de cartões de lealdade e dos social media. Na política de dados do Facebook, por exemplo, podemos ler: “recolhemos diferentes tipos de informações de ti ou sobre ti, consoante os Serviços que utilizas” e “utilizamos todas as informações que temos sobre ti para te mostrar anúncios relevantes”. Para empresas como esta, a comercialização destes dados é essencial e a actividade do utilizador é o elemento necessário para o sucesso do seu modelo de negócio.

Há muito que o Big Data não é mera ficção. Além disso, não é só sobre a extracção de generalidades. São muitas as bases de dados que contém dados pessoais, como o nome e data de aniversário. A privacidade já não é um dado adquirido. É a moeda de troca que permite o sucesso de inúmeras organizações.

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