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Será a adolescência hoje diferente da de outrora?

Há 6 anos, quando fiz o meu estudo de dissertação de mestrado, foquei-me nesta etapa do desenvolvimento que é a adolescência. Uma etapa tão importante para o desenvolvimento de competências que serão essenciais na idade adulta como a autonomia, independência, gestão pessoal, estabelecimento de relações afetivas saudáveis, interação entre pares, etc.

Além disso, estudei também a definição de adolescência para pais e filhos, as dificuldades e desafios sentidos nesta etapa. Não encontrei relatos de adolescentes problemáticos nem de adolescências conturbadas. Encontrei pais e filhos unidos, em sintonia nas suas opiniões, inclusivamente sobre regras e limites. Contudo, algo que já nesta altura verifiquei, foi que as saídas dos filhos não eram um problema naquele grupo que entrevistei. Em alguns casos a dificuldade até era tirar os filhos de casa! Cinco anos depois como será que estamos em relação a isto?

Desde essa época, parece ter havido uma tendência para a clausura e isolamento dos adolescentes. Atualmente, vemos cada vez mais os adolescentes fechados no seu mundo, no seu quarto, nas suas casas, agarrados a uma consola, um computador ou um telemóvel. A popularidade das redes sociais e o crescimento do mercado de videojogos tem sido um grande fator de clausura dos jovens. Enquanto antes tínhamos uma luta por autonomia em que estes jovens negociavam com os seus pais as saídas, hoje temos pais tranquilos por os seus filhos estarem fechados em casa, mas sem perceberem que consequências práticas terá isso no futuro.

Antes, enviavam-se papelinhos, recados e cartas de forma discreta numa qualquer aula, hoje trocam-se mensagens no WhatsApp, fazem-se tweets, publicam-se Instastories e mandam-se Snaps. Evoluíram as formas de comunicação entre os jovens, mas a evolução das tecnologias veio também trazer outras dificuldades. Hoje comunicam através de tecnologias e aparelhos, a comunicação cara a cara ficou ainda mais reduzida, principalmente para os mais tímidos. Passaram a ter cada vez menos interação social presencial, convivem cada vez menos com amigos, vivem cada vez mais isolados no mundo. A interação existente é confinada aos espaços da casa e da escola, contextos que são obrigados a frequentar e por isso neles se têm de inserir. Ainda assim, até dentro da mesma escola, vemos jovens a enviarem mensagens uns aos outros, mesmo que estejam a escassos metros de distância.

Assim, acentuam-se as dificuldades de interação, diminuem as habilidades sociais dos jovens, nesta fase em que tudo é um turbilhão de emoções. Resta-nos analisar os impactos a longo prazo na sua vida adulta.

Sandra R. Santos
Psicóloga Clínica em Aveiro
(psicologa@sandrarsantos.pt)

Sandra R. Santos

Sou Psicóloga Clínica com formação em Neuropsicologia, Coaching, Mindfulness e Parentalidade Positiva. Tenho experiência laboral e formações nacionais e internacionais, bem como investigação científica reconhecida e validada, tendo inclusivamente um livro publicado sobre a Adolescência e a relação familiar com os pais. Para além de terapeuta, sou também Formadora, pois gosto de contribuir para o conhecimento e formação da população. Também por esse motivo, decidi escrever textos sobre a Psicologia e a Saúde Mental como forma de as aproximar da população e ajudar a derrubar alguns mitos que ainda persistem. Nos meus tempos livres sou completamente apaixonada por música, cinema, literatura e outras atividades culturais. Gosto de passar tempo com a família e de apreciar um bom momento entre amigos.

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