Evoluímos para sentir, concretizar e seguir com a espécie.
O problema que vem com a evolução desenfreada? Automatizamos o nosso subconsciente, desligamos do presente e ligamos o modo sobrevivência. O nosso botão interno tornou-se mecânico e preciso. Não damos pelas horas a passar e no pior dos casos, ansiamos que passem o mais brevemente possível, sem saber lidar com a lentidão dos ponteiros.
Ficamos na cama até ao último minuto possível, com desculpas para cada estação do ano. “Está muito frio, custa a levantar”, “Lá fora está demasiado calor, vou derreter”.
Arrastam-se os pés e as mentes sobrelotadas de problemas, no final vencem as potenciais dívidas caso não se recebam as migalhas do ordenado no final do mês.
Excelente seria se tivéssemos lâmpadas mágicas, mas como não somos Aladins, resta-nos desejar para o vazio, atirar ao Universo.
Manifestar dá trabalho, obter o que desejamos não é simples, a luta é para todos mesmo que de diferentes formas. Uns fazem introspecções, outros trabalham turnos incansáveis e alguns correm sistematicamente contra o sistema, sem se conformarem com o que têm.
Seria melhor a conformidade fatal?
Poder-se-ia dizer geral, mas fatal é real, no conformismo morrem sonhos e esperanças de que algum dia a vida pode melhorar, ser mais.
Quem entra pelo portão do conformismo desiste. Compreende o que tem e limita-se a duas opções diárias, ser feliz com o que tem ou infeliz, sempre à espera do que não tem e almeja mais que tudo até morrer.
Os ciclos têm um inicio e um fim, sabemos o nosso destino assim que adquirimos essa consciência real, uns mais cedo que outros. Então a verdadeira questão é: O que fazer com o nosso tempo enquanto é nosso?
Os conformados são os reformados antecipados da vida e por isso mesmo há quem decida ser mais do que é, um caleidoscópio social, onde através do óculo é um mundo de formas e cores brilhantes, fora dele é somente uma cornucópia ou uma capa, algo que compõe tudo no mesmo lugar que se perde facilmente pelos baús ou caixas de um sótão.

Infelizmente enquanto o ser humano for umbiguista, não conseguirá aprender e compreender o seu papel neste mundo, em cada época com a sua exigência.
Nas escolas temos os exemplos perfeitos com os trabalhos de grupo, enquanto uns fazem o esforço todo e os demais que assobiam para o ar recebem a mesma nota. Onde podemos observar isto? É simples, na história e nos direitos humanos.
Foram os que não se conformaram que revolucionaram e saíram da ditadura, foram as que não se conformaram que cortaram correntes a mães e donas de casa desesperadas. Os que não se conformaram descobriram o mundo pois observavam mais do que a sua caixa de sapatos.
Conformistas receberam tudo o que agrega, assobiando e muitos outros cuspindo no prato que lhes foi dado.
Assim temos dois tipos de conformidade, a pessoal e a social.
Pessoalmente é um trabalho intimo que tem de ser feito, aceitar a medida para o que fomos criados nesta vida é difícil, mas em qualquer altura esse conhecimento passa a ser vinculativo consoante no que acreditamos.
Uns conseguem manter um trabalho a vida inteira, outros saltam descontentes com a sua situação e vão procurar algo que os preencha. As duas opções estão corretas. Errado seria culpar alguém por estar a tentar viver a sua vida longe de problemas de saúde, sejam psicológicos ou físicos.
Julgar alguém por querer estar ou não, é o mesmo que julgar por ter nascido. Visto assim torna-se ridículo, não é?
Nada é linear.
Como podemos viver nesta vida? Como quisermos, basta querer.
“Mas não é assim tão fácil!” – Mas queres? O que é preciso mudar então?
A sugestão é começar a mudar por dentro, a forma como encaramos a nossa realidade, a forma como vemos o mundo, podemos aproveitar as flores e o mar depois de aprendermos a lidar com a chuva.
Muitos não gostam dela, mas é necessária, imagina um ano sem chuva. Imagina um ano conformado/a e enraizado/a, para onde foste?
Lado nenhum.