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Miley Cyrus, a música ‘pop’ e as crianças

Cada vez mais as crianças criam a ideia dos ídolos associados às grandes estrelas da televisão. Basta ver casos como a Violetta, que levou milhares juntamente com os seus familiares ao último concerto, em Lisboa, no ‘Meo Arena’. Tendo em conta que vivemos naquela que é considerada por vários especialistas como a “geração touchscreen”, hoje, a figura de abordagem será Miley Cyrus, que, para os mais miúdos, ficará marcada pela figura de Hannah Montana.

Nascida em Franklin, no estado de Tennessee, inicialmente, Destiny Hope Cyrus, até 2008, Miley Ray Cyrus, na sua infância, tinha o nickname de “Smiley”, pela alegria que mostrava. No meio de dois irmãos, duas meias-irmãs e dois meios-irmãos, o seu pai é o cantor country Billy Ray Cyrus. Em 2001, este artista concretiza uma participação na série ‘Doc’, o que fez com que a sua filha Miley começasse a revelar interesse mais acérrimo pelo mundo do teatro. Ora, depois de pequenas participações, o ano de 2006 determina a sua carreira para sempre.

Naquele ano, começa a ser Hannah Montana, cuja série tem o mesmo nome. Enquanto protagonista, começa a ganhar fama com a música, chegando a organizar uma tour que moveu milhões de fãs, numa altura em que as luzes da ribalta lhe davam imenso destaque. A partir daí, dedicou-se a uma carreira a solo, paralelamente, tornando-se compositora, dançarina, empresária, autora e, até mesmo, designer de moda. Com várias polémicas a que se lhe associaram, como a divulgação de fotos pessoais no mundo cibernético, viveu períodos mais conturbados. Em 2010, deixa de vez Hannah Montana, lançando-se unicamente a solo, começando a associar-se a várias editoras musicais, destacando-se, frequentemente, pela sua exuberância, conquistando milhões de visualizações, bem como álbuns vendidos.

Numa análise mais subjectiva, devem ser realçados alguns aspectos.

Por um lado, a influência pop. Com a atentada audição deste género musical, outros géneros como o jazz, o blues, o soul, a clássica, entre outros tradicionais, perdem a sua captação pública assim como a sua visibilidade, reduzindo-se a pequenos nichos culturais. Além disso, o pop, sendo um movimento cultural massificado, cada vez mais intenso e presente nas nossas vidas, acaba por ser determinante na concepção artística retida pelas crianças.

Por outro lado, a influência de atitudes e comportamentos para com a sua imagem. Corpos trabalhados, faces sem imperfeições, fama, dinheiro, sucesso, registo de moda influente constituem, entre vários, alguns dos principais factores que preponderam a visão da própria vida aos mais pequenos, que se encontram numa fase de socialização importante para o futuro, a moldarem o seu pensamento no sentido de se integrarem no mundo dos adultos.

Portanto, a combinação destes dois lados demonstra que, partindo do exemplo de Cyrus, existem consequências irreversíveis na visão da faixa etária infantil. Nem sempre o acompanhamento parental consegue ser eficaz e, claramente, esse é um ponto fundamental, para o qual devia ser feita uma abordagem mais incisiva.

Como concretizar tal abordagem? Não poderão os media ser preponderantes para mudar esta imagem, já que eles se revelam os principais responsáveis por fazer chegar a informação aos seus públicos e apresentam conteúdos rentáveis? Apostar numa consciencialização acrescida para uma expansão do conhecimento musical juntamente com a criação de uma programação voltada para esse fim?

Agora, o leitor pode raciocinar e verificar que se trata de uma abordagem negativa, esta que aqui pretendo realizar. A verdade é que as vantagens são conhecidas, de modo geral: entretenimento fácil dos mais pequenos, custeamento a preços baixos, adesão conjunta de outras crianças,…

Ora, deve salientar-se que não se trata de, se o leitor me permite o termo, “machadar” a música pop ou mesmo a cantora Miley Cyrus. Antes, trata-se de atentar num consumo mais consciente da produção daí resultante: saber estabelecer limites, dar a conhecer mais produções que existam no nosso país e mesmo no mundo, criar formas de induzir as crianças a aderirem a brincadeiras longe da TV ou de dispositivos electrónicos. Há um futuro a construir.

Pedro Ribeiro

Vimaranense, 24 anos e recetivo a desafios, ocupo a maior parte do meu tempo em torno das áreas dos Média e da Comunicação. Sou estudante de doutoramento em Ciências da Comunicação e procuro oferecer a minha perspetiva da forma mais íntegra possível. Numa sociedade de pouco sentido crítico e muito moralismo, procuro trazer debate com conhecimento, procurando perceber e aprender mais. Não fosse isso um motor para a vida, o conhecimento. Já escreve Nietzsche, na sua obra 'Assim Falava Zaratustra': 'O Homem só existe para ser superado.'

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