Em regra, não penso demasiado nos temas sobre os quais escrevo, preparo o portátil e os dedos já sabem que palavras devem escrever, normalmente direto do cérebro ou do coração, para a ponta dos dedos, que se posicionam e sabem muito bem as palavras que devem escrever, em face do que me vai cá por dentro.
Desta vez foi mais complicado, não há temas sobre os quais me apeteça especialmente falar, ou então, dos que me ocorrem são todos demasiado lamechas ou até tristes, porque isto é mesmo assim, nem sempre a vida decorre como era suposto, assegurando que o nosso estado de alma é sempre o êxtase e a felicidade, a envolvente também o afeta.
Mas hoje, “obriguei-me” a escrever, porque tal como as necessidades básicas da alimentação ou outras que todo o ser humano tem, a escrita é para mim também uma necessidade a ser satisfeita, e de preferência com alguma assiduidade. Mas a verdade é que já passou algum tempo desde a última vez que o fiz.
Porquê? Pergunto-me de mim para mim. Talvez porque não me sinta motivada, animada ou a acreditar na vida como sempre costumo sentir? Não. Simplesmente porque tudo em volta tem sido demasiado ativo, tão fortemente intenso que os dias, um atrás de outro, me arrebatam no cansaço e no abatimento anímico, gerando prostração e apatia.
Hoje que está um dia bonito lá fora, a temperatura trouxe um novo aconchego à vida, o sol ilumina a rua que se enche de pessoas a circular, e a vida acontece sem pedir licença a ninguém, e por isso entendi que o interregno da escrita tinha de acontecer.
Estes momentos em que os meus dedos vão deambulando por entre as teclas, redigindo palavras e frases que procuram encontrar um sentido, são libertadores e transportam-me para um espaço apenas meu que partilho com quem me lê e se revê um pouco nestes textos despretensiosos, mas ao mesmo tempo libertadores de pressões e más vibrações.
É bom respirar este ar tranquilo que o toque dos dedos no teclado vai originando, uma sensação de liberdade, apenas nós, eu e quem tem a gentileza de se juntar e ler estes pedações de escrita, que refletem um pouco aquilo que é a minha perspetiva da vida e daquilo que devemos alimentar e fomentar no nosso dia a dia.
Fica feito o meu exercício e agora que se retomou a questão da escrita, que por breves dias esteve adormecida por razões várias e alheias à minha vontade, fica a sensação de retomar aquilo que verdadeiramente me dá gozo, deitar cá para fora pensamentos, palavras e emoções.
Recupero um dos aspetos da minha existência que muito gosto me dá desenvolver, a escrita. Na próxima semana vou voltar aos temas mais concretos, hoje foi mesmo apenas um momento de retoma da questão.
Gosto muito desta frase do Mahatma Gandhi:
“Viva como se você fosse morrer amanhã. Aprenda como se você fosse viver para sempre.”