Geração Morangos com açúcar

Os Morangos com açúcar foram a maior febre que existiu em Portugal nos anos 2000, uma tentativa em Portugal de se aproximar do formato que já existia no Brasil com a novela ‘Malhação’.

Os jovens identificavam-se com a novela não só pela faixa etária e pelos romances de adolescência, mas acima de tudo porque os timings eram reais, ou seja, o período de aulas, as férias de Natal, de Páscoa e acima de tudo, as férias de verão. Naquela época não havia plataformas streaming, acesso a séries facilmente, nem toda a gente tinha Internet. Retirando todo o sensacionalismo, a telenovela abordava já questões pertinentes na época; drogas, bullying, gravidez na adolescência, entre outros. Tudo isto era o cocktail perfeito para conquistar um público que ansiava por novidade e algo diferente do que assistiam na televisão, onde ainda se via muito pudor.  

Naquela época, as personagens enfrentaram um nível de fanatismo que não se via em Portugal, a banda D’ZRT foi provavelmente o grupo que obteve dos fãs o maior nível de loucura.

20 anos após a estreia da primeira versão dos Morangos com açúcar surge uma série com o mesmo nome e com o tão afamado colégio da Barra. Existe já uma crítica sobre este pontapé inicial, pelo facto de um colégio privado repleto de alunos de famílias abastadas não representar a maioria em Portugal. Neste aspeto, a crítica reside também na ideia de que esta versão se tentou aproximar da série espanhola Elite. A verdade é que esta série nunca iria funcionar nos mesmos moldes que nos anos 2000, passaram-se 20 anos e precisava retornar arrojada e nos padrões atuais. Por norma, entro dos padrões atuais para uma série que não é sobre um mundo de fantasia, para uma série funcionar inclui-se também um enredo criminal. Para construir esse roteiro criminal facilita criar desigualdades sociais e muito dinheiro à mistura.

Algo que se destacou positivamente, com uma ou outra exceção, foi a representação dos atores, pode-se notar aqui a evolução da indústria cinematográfica, pela preparação que já existe logo nos primeiros projetos. Os primeiros atores da série dos anos 2000, são hoje os atores de referência em Portugal dessa geração, no entanto, eles foram aprendendo já “no ar”. A diferença dos primeiros episódios para os últimos não era somente progressiva, era abismal.

Apesar das críticas, desta forma, a série conseguiu cativar o público que era adolescente nos anos 2000 e os adolescentes de 2023, pois esta série transportou para o pequeno ecrã as preocupações, inquietações e divertimentos atuais, muito proporcionadas pelo Instagram. Esta rede social que domina em boa parte a vida social do ser humano. O facto de ter dentro da série atores da época 2000, no mesmo personagem cria uma forte nostalgia e um forte incentivo a vê-la. Inclusive a novela antiga passa constantemente no Panda Bigs, isso faz com que mesmo o público mais jovem reconheça os atores e se conecte mais rapidamente.

 O enredo criminal trata-se de uma rede de tráfico de bebés, criando um mistério que foi bem desenvolvido ao longo da trama, soltou pequenos detalhes e revelou-se somente no final, mantendo o mistério bem trabalhado. Nesse aspeto, os guionistas souberam manter o ritmo com o nível de uma série conceituada. Há sempre aspetos a melhorar, mas como é habitual, é algo constante criticar mais aquilo que é proveniente do próprio país do que o dos outros. Infelizmente Portugal é um dos países que elogia constantemente o que há no exterior e desvaloriza o que tem aqui.

 Como conclusão a este artigo, acrescento que a série tem alguns erros, mas no geral está muito positiva, mantém o mistério e tem alguns momentos muito engraçados.

Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Novo Acordo Ortográfico

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