CulturaMúsica

O Metal em Celebração

20 Anos de "Foreshadow"

 

Na passada noite de 9 de Março, o RCA Club, em Lisboa, recebeu duas das mais importantes bandas do metal gótico nacional. De Silves, os Inhuman, que vieram celebrar os 20 anos do seu disco “Foreshadow“, e, como convidados especiais, os Heavenwood, do Porto.

Os Inhuman

Com uma sala não tão cheia como seria de esperar, mas que, a pouco e pouco, se foi compondo, a banda algarvia deu início ao seu espectáculo com “The Redeemer“, a abrir e bem a celebração do disco de 1998, reeditado agora em vinil pela Chaosphere Records. Seguiu-se “Last Whispering“, “Scars In You Heart“, “Mansized Heaven“, “Shadowy But Immortal” e “Divinity“, com menção por parte do vocalista, Pedro Garcia, a “um vídeo que anda por aí”, referindo-se ao videoclip do mesmo tema.

A banda avança com “Crystal”, que o público a dado momento acompanhou com palmas, e segue-se “A Blessing in Disguise“, com Pedro a perguntar no início do tema se “ainda lá estavam todos e se ninguém tinha ido para casa”, aproveitando para agradecer a presença do público. “Lifeless Seasons” antecede o anúncio do último tema retirado do álbum “Foreshadow”, “Stigma”, terminando assim a revisitação emotiva desse disco.

Houve ainda tempo para tocarem temas do primeira longa duração, “Strange Desire”, como “My Blackest Daylight”, “Fallen Majesty” e “Frozen Sun”, muito bem recebidos pelo público.

Para o fim, deixaram a bem aplaudida surpresa, “Por Entre as Sombras“. Um tema novo, cantado em português, com um som actual, no entanto, sem sair da estética da banda e que bem poderia ser um sonho molhado para um sonoplasta de cinema. Fecharam com chave de ouro, “Eternal Martyr”, o regresso à primeira demo da banda, “Pure Redemption”.

Um bom espéctaculo, emotivo, nostálgico e de celebração que deixou aos presentes a aguçada curiosidade no que aí vem.

Os Convidados Especiais: Heavenwood

Seguiam-se os convidados especiais, Heavenwood, com alguns dos presentes a questionarem-se por que não tinham sido os primeiros a tocar.

Com uma nova formação na secção rítmica, mas que já conhece os “cantos à casa”, Daniel Cardoso na bateria e Bruno Silva no baixo e com o vocalista de sempre, Ernesto Guerra, deram início à sua actuação com quatro temas do seu disco “Swallow” de 1998: “Heartquake”, “Soulsister”, “Rain Of July” e “Suicidal Letters”.

Com a atenção da plateia no auge, seguem com “13th Moon” do disco “Redemption” e “The Empress” do último disco, “The Tarot Of The Bohemians Pt. 1”, num excelente trabalho de guitarras por parte de Vitor Carvalho e Ricardo Dias.

E é tempo para apresentarem também uma surpresa. Um tema novo que integrará a parte 2 do disco de 2016, ainda sem data de lançamento prevista. “The Lightning-Struck Tower” é o single de avanço, que não deixou ninguém indiferente. A provocar um bom headbanging nos presentes e com um riff inicial quase a roçar o industrial, dá-nos um tema pesado e que deixa curiosidade no que aí virá.

A fechar a noite, “The Frithiof’s Saga” do disco de estreia, “Diva”, terminando assim uma actuação curta, mas intensa.

Embora o público presente não abandonasse a sala e fosse chamando pela banda, não se concretizou o regresso a palco.

Uma noite de celebração, revivalismo e emoção, que mostrou que vinte anos depois, os temas continuam a soar tão bem ou melhor e que as duas bandas se mantêm vivas e de saúde. E isso é o mais importante.

Quanto a mim, recuei até ao término dos anos 90. De repente, estava a comprar discos na Fata Morgana ou na antiga Carbono da Almirante Reis. Passei pelas matinés da Jukebox e pela troca de discos, K7’s e VHS, na escola. Fui ao (ainda) Pavilhão Multiusos assistir a Marilyn Manson e Moonspell e terminei num café qualquer a falar de música e poesia.

Discografia recomendada:

  • Toda de Inhuman e Heavenwood
  • Sarcastic – The Tale Begins e Inside
  • Mão Morta – Müller No Hotel Hessischer Hof e Há Já Muito Tempo Que Nesta Latrina O Ar Se Tornou Irrespirável
  • Ramp – Evolution, Devolution, Revolution
  • Moonspell – Sin/Pecado e The Butterfly Effect
  • Daemonarch – Hermeticum
  • Marilyn Manson – Mechanical Animals e Antichrist Superstar
  • Cradle Of Filth – Cruelty And The Beast
  • Paradise Lost – Todos

Pedro Carramão

Natural de Lisboa dos anos 80. Musico-dependente. Com algumas incursões em projectos rock/metal. Escritor de abismos. Técnico auxiliar na área da saúde. Tenho como principais hobbies a música, a escrita, a leitura e a culinária.

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