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Blackkklansman

Um filme demasiado actual

É possível um filme ser demasiado actual? Retratar um acontecimento do século passado mas, ainda assim, estranhamente retratar a nossa actualidade?

BlacKkKlansman: O Infiltrado é um filme de 2018 baseado no livro de Ron Stallworth. Ron Stallworth é um polícia Americano reformado que se infiltrou no Ku Klux Klan na década de 70. Foi, como o filme demonstra, o primeiro polícia  e detective Afro-Americano no Departamento de polícia de Colorado Springs.

Em 1979, Stallworth viu um classificado no jornal local à procura de membros para começar um novo capítulo do Ku Klux Klan. Ele respondeu ao classificado e deu-lhes o seu contacto. Um membro do KKK contactou-o e combinaram um encontro. Stallworth enviou um agente branco invés dele, e a conversa foi um sucesso. Estes encontros duraram nove meses, com Stallworth a conversar via telefone, e o agente a encontrar-se com eles.

Presente no filme está uma conversa telefónica entre Sallworth e David Duke, o chefe supremo do KKK na altura, que aconteceu na realidade. Duke pediu desculpa ao Stallworth pela demora no seu cartão de sócio, e enviou-lhe um cartão, assinado por ele.

John David Washington foi o actor escolhido para representar Stallworth no cinema. O filme conta ainda com a presença de Alec Baldwin, Isiah Whitlock Jr., Robert John Burke, Brian Tarantino e Adam Driver. Adam Driver foi o actor escolhido para representar o parceiro de Ron Stallworth, mas a sua verdadeira identidade nunca foi revelada.

Segundo o IMDB, o filme pertence às categorias de Biografia, Crime e Drama. Estão todas absolutamente correctas. Tem vários momentos de comédia mas esta é usada para tentar aliviar o que se passa realmente. Retomando a minha pergunta inicial, é possível um filme retratar um evento passado e retratar, ainda assim, a sociedade de hoje? A minha resposta é que sim. BlacKkKlansman fá-lo na perfeição. Durante quase duas horas é-nos mostrada a história de Ron Stallworth, um homem negro que tentou ter o melhor de ambos os mundos. Um homem que quis lutar pelas suas pessoas, mas ser polícia, tentar lutar pelas suas pessoas de maneira justa e correcta, mesmo com tantas injustiças à sua volta.

O filme fez-me rir, mas também ficar zangada. Porquê a raiva? Se tudo o que é descrito no filme já não acontecesse hoje em dia, poderia apenas ficar zangada pela burrice das pessoas do passado. O problema, o grande problema, o que me enerva acima de tudo, é a burrice e o preconceito e a idiotice das pessoas de hoje em dia. Numa altura em que o mundo inteiro está conectado, como é possível existir racismo nos dias de hoje?

No final do filme surgem excertos de discursos de ódio de figuras como David Duke e  Donald Trump. Surgem filmagens de concentrações do KKK e de um atentado contra uma marcha pacífica de Black Live Matters.  Não consegui evitar as lágrimas de raiva e de tristeza nos momentos finais do filme. Este fim realista ajuda-nos a entender que o trabalho não está feito, que ainda existem demasiadas pessoas racistas, demasiados políticos racistas e que se todos nos unirmos, conseguiremos fazer algo.

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Maria Capitão

Licenciada em Estudos Clássicos, passo o meu tempo livre a ler livros, ver séries e filmes e a ser voluntária numa associação de animais. Adoro jogar videojogos, jogos de cartas e de tabuleiros com amigos.

2 Comments

  1. O filme é muito forte… adorei! Infelizmente ainda é “normal” para muitas pessoas ser racista e desculpam-se com o meio em que cresceram, a influência cultura e social… Balelas, digo! Todos sabemos distinguir o bem do mal, basta estarmos dispostos a isso.

    1. Concordo plenamente! É, de facto, muito forte, em especial os momentos finais. A educação afecta muito as pessoas, mas a partir do momento em que têm acesso a tanta informação como há hoje em dia… ser racista passa a ser uma opção, uma opção idiota.

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