Um Luxo com Dois Nomes

Quando pensamos em automóveis de luxo, pensamos logo em duas marcas: a Rolls-Royce e a Bentley. Representam o pináculo do luxo automóvel. São feitos à medida para o dono e não há dois carros iguais, nem pedidos impossíveis. Desde que a carteira o permita, ambas as marcas acedem a qualquer pedido, não importa o quão extravagante seja.

Fundada em 1906 por Charles Rolls e Frederick Royce, o acordo era simples. Royce fabricava tantos carros quanto os que Rolls conseguisse vender. Era uma parceria benéfica a ambos, uma vez que primeiro era um brilhante engenheiro mecânico e o segundo um aristocrata bem relacionado, com um stand montado em Londres. A grande atracção dos Rolls-Royce é o facto de, ao contrário dos restantes automóveis da época, não serem barulhentos, nem fumarentos e mais fiáveis. Tão fiáveis, que os modelos fabricados antes da Primeira Guerra Mundial ainda funcionam na perfeição. Fiabilidade que ainda hoje se mantém.

A história da Bentley é ligeiramente diferente. W.O. Bentley começa por fabricar peças para os aviões da Primeira Guerra Mundial. Em 1919, funda a Bentley Motors e entrega o primeiro carro em Setembro de 1921, sendo também largamente notada a durabilidade e fiabilidade dos motores. Em 1926, é adquirida por Woolf Barnato e começa a época dos Bentley Boys, um grupo de automobilistas endinheirados que preferiam os Bentley para entrar em corridas. Após o crash da Bolsa de Nova Iorque, a Bentley entra em falência e, num leilão fechado, é comprada pela Rolls-Royce.

Fundem-se as duas marcas. A Bentley resume-se a ser apenas um Rolls-Royce com outro símbolo, mas mesmo assim não competem entre si. Enquanto a Rolls-Royce aposta no luxo e na potência sem esforço, a Bentley, fiel às suas origens nas pistas, aposta em versões mais desportivas dos modelos da Rolls-Royce, sem, no entanto, perder o luxo e a potência sem esforço. Uma marca e um carro para os lordes, uma marca e um carro para os gentlemen drivers.

O caracter de ambas as marcas estende-se até aos nomes usados nos modelos. Devido à potência sem esforço dos Rolls-Royce e ao facto dos motores não fazerem praticamente barulho nenhum, os Rolls-Royce recebem nomes como Phantom, Silver Wraith, Silver Seraph, ou Ghost. Por sua vez, os Bentley, desportistas e velocistas natos, recebem nomes mais desportivos como Turbo, Continental GT, Brooklands, ou Mulsanne. Em 1999, o Grupo Volkswagen compra ambas as marcas e, em 2001, separa-as e vende a Rolls-Royce à BMW. Começa uma nova era para ambas as marcas. A Bentley apresenta um coupé desportivo, o Continental GT, com um W12 de 6 litros e reintroduz o icónico motor V8 de 6,75 litros. A Rolls-Royce, por sua vez, apresenta a 7ª geração do Phantom, com um motor de 12 cilindros e 6,75 litros.

A ideologia e o espirito de ambas as marcas mantêm-se inalteradas: criar um carro sem compromissos, utilizando apenas os melhores materiais, mas, mesmo assim, são carros completa, total e absolutamente diferentes.

Share this article
Shareable URL
Prev Post

O Diálogo Entre a Música e o Cinema

Next Post

Galveias e o resto do Universo

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Read next

Quinze anos de Desporto

Ao longo dos primeiros quinze anos deste novo milénio, os leitores tiveram a oportunidade de observar inúmeros…

E tudo o Benfica perdeu

O Benfica é, indubitavelmente, o grande destaque de 2013 e pelas piores razões. Há uma música de uma cantora que…