Ainda só li três livros de Afonso Cruz, um deles que não apreciei muito, mas mesmo assim este autor já é um dos
Adiante.
Há dois anos, Para onde vão os guarda-chuvas (sobre o qual já foi feito um artigo) atraiu-me. Quando li a sinopse, nem recordei que era do mesmo autor de A carne de Deus, e quando reparei isso não me afastou. Decidi voltar a ele. E apaixonei-me, mas assim, mesmo com muita força, ao ponto de querer roubar todo aquele livro para mim, não lhe mudar nenhum ponto, e querer que aquelas ideias tivessem saído de mim. OK… Isto não é amor, é inveja. Pois que seja. Inveja (da boa, porque espero que ele escreva livros encantadores durante muitos anos).
É um livro calmo que mexe tão profundamente connosco que nos torna irrequietos. Pode parecer estranho, mas senti-me mal-disposta depois de ler, como quando comemos muito, como se tivesse devorado coisas a mais para o pensamento.
Este livro não tem nada em comum com Para onde vão os guarda-chuvas – nem a voz, nem o cenário, nem as personagens, temas, nada… Nada, além da forma de escrever, da forma de nos transportar e das ideias originais e fascinantes. Penso que é a forma do autor estar na literatura – não são histórias que esperamos, que já lemos várias vezes partindo de perspectivas diferentes, daquelas que gostamos, que sabemos que a abordagem é original. É um livro calmo que mexe tão profundamente connosco que nos torna irrequietos.. São livros que parecem pequenos mundos.
A boa notícia é que Afonso Cruz já tem vários livros publicados e não parece que vá abrandar, por isso podemos continuar a surpreender-nos e a ver onde nos leva a sua extraordinária inspiração no próximo livro.
