Crise: palavra do dia, da noite, sem tempo limitado, sem espaço fechado e sem esconderijo seguro. Não se trata de partidos, cores ou nações: esta palavra não conhece fronteiras, nem desagua em mares, ou oceanos. Todos falam. Todos ouvem. Porém, será que alguém compreende?
Portugal nunca foi um país de grande produtividade. Os seus habitantes rotularam-se de desleixados, preguiçosos e nada pontuais. As últimas 4 décadas foram basicamente “a sacudir a água do capote”. As culpas vão sendo apontadas mutuamente entre governos, mas ninguém as assume. Falta-lhes honra, ou coragem? Ninguém parece saber e ninguém se parece preocupar. Só o “Zé-povinho” vai andando, para lá e para cá. Não sabe o seu caminho. Não sabe qual o seu local de chegada. A sua única certeza: assim, já não pode mais ficar!
Se 7 são as leis de Deus, também 7 são as possibilidades de errar. Todavia, o foco deste artigo serão as 7 vidas de um gato. E se Deus, ou o Diabo o permitirem, todos os portugueses serão gatos e nenhum gato será pardo.
Neste artigo, serão focados os 7 pontos essenciais a aplicar e a ser alvo de foco pela nação: antónimos de crise, sinónimos de crescimento, estabilidade e felicidade.
Comecemos pelo problema estrutural, que mais afecta a sociedade portug
Segundo Luis Gonzaga, professor de Geografia, do ensino secundário, o combate ao desemprego “necessita, urgentemente, de requalificação que, muitas das vezes, poderá passar por uma espécie de ‘regresso ao passado’, através do retorno aos sectores tradicionais da agricultura e pesca, mas, ao contrário do que sucedia anteriormente, com níveis de conhecimentos e qualificações superiores.” Desta forma, a diminuição da taxa de desemprego não passaria pela integração em estágios profissionais, como aconselha o actual governo, na sua campanha legislativa. Implicaria uma reforma estrutural: requalificar os desempregados e apostar em sectores de potencial crescimento, no sector primário, a título exemplificativo.
Já Beatriz Branco, funcionária bancária, de 48 anos, toca num ponto muito mais sensível do desemprego. Segundo ela, “os desempregados deviam prestar um serviço público, mediante o pagamento do subsídio de desemprego. Com esta medida, evitava-se muitos falsos desempregados”. Será esta uma nova possibilidade, para a limpeza das matas – que tão fustigadas são no Verão?
Caímos, assim, no domínio das denominadas “economias paralelas”. Desde o tráfico até ao arrendamento de casas no Verão, determinadas actividades não contam como produção interna bruta – carinhosamente, denominada de PIB. Recentemente, o Observatório de Economia e Gestão de Fraude (OBEGEF), da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, estimou o valor da economia paralela, no nosso país, em cerca de 27% do PIB (2014), traduzindo-se num montante absoluto de cerca de 50 000 milhões de euros. Passamos de um aparente “detalhe” para aquilo a que podemos de chamar de “catástrofe”.
Como pode, o mais comum, simples e inculto cidadão fazer a diferença?
Tanto na economia paralela, como no suposto “mundo legalizado”, uma questão tem, peremptóriamente, marcado o quotidiano: “escolher a qualidade, ou a quantidade?” Não conseguindo, Portugal, competir com outros países a nível de quantidades – onde as economias de escala abundam – existe outro ponto por onde se destacar: a qualidade.
Sectores como a exploração florestal, ou a produção de azeite ou vinhos – que recebem inúmeros prémios e certificados de qualidade -, permite a Portugal equilibrar a sua balança comercial. Segundo Luís Gonzaga, “é urgente que, à semelhança do que acontece com muitos dos países, que consistentemente conseguem sucessivos superavits (ou balanças comerciais equilibradas), o nosso país consiga acrescentar valor aos seus produtos e não se limite a fazer o mesmo que muitos países desenvolvidos fazem: exportar riquezas em bruto. Sectores como o dos recursos do subsolo, como o cobre, ou as rochas ornamentais, são apenas um dos exemplos, que podem ser dados para justificar a importância desta orientação estratégica.”.
E se “é de pequenino que se torce o pepino”, também na educação
Desde logo, Luís, professor de profissão, mostra o seu descontentamento com a falta de coerência das políticas adoptadas, nos últimos 40 anos, mais concretamente, “o excesso de produção legislativa, a falta de estabilidade e continuidade das políticas educativas, o desinvestimento no sector, a aposta em mecanismos de controlo altamente centralizados e burocráticos e, sobretudo, a ausência de uma definição estratégica clara e mobilizadora funcionam como entraves à melhoria do sistema.”
Por outro lado, é Beatriz, com 2 filhos em idade escolar, que critica o novo modelo de escolaridade obrigatória, impiedosamente, referindo que “não basta termos doze anos de escolaridade obrigatória. É essencial que, os alunos, que vão para o mercado de trabalho, tenham uma formação adequada, o que, na maior parte das vezes, não acontece.” Prevendo consequências negativas, desde um acentuar do desinteresse pela escola, até à falta de atenção e rendimento escolar, esta mãe mostra-se alerta e muito preocupada, com o rumo educacional, dos seus filhos.
As soluções? Uma maior atenção aos alunos de forma individual, tendo em conta o seu progresso, interesses diversos e os seus próprios métodos de apreensão da matéria lecionada. Não esquecendo, uma maior flexibilização de critérios, a que, este ano, o ministério da educação já pareceu ter em consideração: “o que publicitamos no dia da prova é uma versão de trabalho dos critérios, que comporta aquilo que são as previsões mais comuns de respostas. Em muitos casos, essa versão será igual à final”, acrescentou, “mas não queremos que, durante o processo de classificação, em que os professores podem colocar aos supervisores dúvidas, seja excluída a possibilidade de surgirem respostas muito bem conseguidas, muito bem trabalhadas pelos alunos, que não estão previstas, mas devem ser validadas em termos de classificação” – leia a noticia completa aqui.
Saindo do mundo escolar e académico, passamos a integrar a população activa.
Mais uma vez, à semelhança da solução para o desemprego, a palavra-chave parece ser “requalificação”, ou “reabilitação”. O que poderíamos fazer? Transformar as construções desabitadas, investimentos iniciados (mas nunca concluídos) e espaços indeterminados em zonas habitáveis, investimentos úteis e em locais turísticos atraentes. Esta tendência, demonstrada eficaz – segundo estudos recentes, da Federação da Indústria Europeia da Construção, a percentagem de obras de reabilitação urbana, em Portugal, apresenta valores muito baixos (inferior a 8%), enquanto, nos países mais desenvolvidos da Europa, nomeadamente na Alemanha, ultrapassa os 30% -, pode ser o recurso que tanto buscamos. Tendo, isto mesmo, em consideração, “competirá aos gestores/arquitetos/engenheiros e outros técnicos do setor, utilizar a criatividade e a sabedoria para, em alguns dos famosos elefantes brancos, transformar um espaço sem utilização noutro dinâmico e rentável. O setor da hotelaria e turismo seria um dos que poderia dar um contributo concreto na transformação e requalificação de espaços degradados e sem atividade económica”, afirma Luís Gonzaga. Também Beatriz mostra-se confiante, quanto a este novo rumo, ainda, por explorar. “É sempre possível requalificar e dar outra finalidade a ‘obras megalómanas’, que se realizaram no nosso país, tais como, os estádios construídos para o Euro 2004. Porque não transformá-los em recintos desportivos? O importante é realizarmos algo. Todos juntos, acreditarmos que é possível. Eu acredito.”.
Tendo em conta a mensagem encíclica, “Laudato Sí”, que, recentemente, o Papa Francisco deixou ao mundo, também, o nosso país, deverá ter em conta o estado ambiental em que nos encontramos. Assim sendo, mesmo em tempos de crise económica e moral, não nos devemos esquecer que a nossa casa é o planeta que habitamos. E como pode este ser um aspecto importante para sair da crise económica? Apostando nas energias renováveis que, implicando um investimento a médio prazo, trarão recompensas ambientais e económicas estrondosas.
Revelando-se um apaixonado por este tema, Luís não hesita em alertar
Por último, depois de toda uma vida dedicados às nossas profissões,
Todavia, como o velho ditado pressagia, “entre mortos e feridos, alguém há-de salvar-se”. Como? Investindo numa conta poupança para a reforma, juntando uns trocos debaixo do colchão, ou buscando amparo nos familiares, amigos e conhecidos. A solução ideal para o país? Uma reforma estrutural que aponte para uma maior dinâmica socioeconómica: apoios à natalidade, melhoria das condições de trabalho, incremento de medidas desmotivadoras à reforma – como o aumento da idade legal para a reforma, ou a diminuição de remunerações por cada ano de adiantamento do pedido de reforma.
Ficam, assim, resumidos os 7 catalisadores da economia portuguesa, em função dos 7 fundamentais sectores a melhorar: (des)emprego, economias paralelas, balança comercial, educação, (des)construção civil, sector ambiental, sistema da segurança social.
Será este o caminho a seguir, que tanto busca o “Zé-povinho”? Cabe a si, leitor sombra, decidir.
