O culto das celebridades é uma coisa que, para mim, é difícil de entender!
Compreendo que exista um fascino que nos transcende sobre determinada pessoa, situação histórica ou até mais mundana agora o culto de seguir até à exaustão determinada personalidade, já entra num campo mais doentio.
Podem servir de exemplo? Claro que sim como em tudo na vida, podemos ver apenas a futilidade ou tentar extrair alguma coisa boa. Neste caso, a futilidade é o que sobressai em larga escala, não acompanhando a par e passo (nem de perto) estes conteúdos ou as histórias destas pessoas mas do que vi são altamente disciplinadas. Para que tudo funcione na perfeição aparente, é preciso muita disciplina mesmo para quem tem muito dinheiro e empregados para os servir. Ser-se bonita, a par das múltiplas plásticas (óbvias) é preciso cuidar e isso não acontece só porque sim.
Os dramas com mais ou menos dinheiro são um pouco como os de todos nós, afinal de contas são humanos! Isso aproxima os telespectadores. O errado é ficarmos com uma percepção da realidade completamente distorcida, acharmos que se tem uma criança e no minuto a seguir o corpo volta a ter os abdominais definidos, que ter um closet, garagem, piscina e jardim é o padrão de qualquer casa, que as unhas nunca têm lascas e por ai fora. Aquilo é tudo uma encenação, quando as câmeras não estão a filmar a maquilhadora e cabeleireiro aparecem em cena para os retoques. Estas pessoas também choram, riem, sentem frustração, têm dias de procrastinação e dias em que estão com a pica toda! Não vamos ver louça suja, ervas daninhas nos canteiros ou osgas nas paredes…
O cenário de glamour serve para nos trazer alguma beleza e se possível suavidade da mesma forma que vemos um filme ou lemos um livro para nos transportarmos para outro qualquer lugar. O papel social das celebridades deveria ser, fazer-nos pensar em algumas questões importantes e não apenas em frivolidades. Claro também precisamos dessa parte e do ponto de vista comercial, para algumas marcas é bom que as partilhem desta forma, e o resto? O outro conteúdo fica onde? O envolvimento em causas e movimentos? A educação cívica e social? Não são tópicos banais bem sei, nem sempre sexys e por vezes são muito polémicos até, mas o cérebro precisa de algum estimulo não pode estar sempre a levar com conteúdos vazios.
Se as crenças, palavras, atitudes e acções dessas celebridades nos impactam em termos pessoais então deveriam ter mais cuidado na forma como se expõem e como se mostram.
* A frase “Ser ou não ser, eis a questão” vem da peça “A tragédia de Hamlet”, príncipe da Dinamarca, de William Shakespeare.
