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Televisão

To be, or not to be*

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O culto das celebridades é uma coisa que, para mim, é difícil de entender!

Compreendo que exista um fascino que nos transcende sobre determinada pessoa, situação histórica ou até mais mundana agora o culto de seguir até à exaustão determinada personalidade, já entra num campo mais doentio.

Se pensarmos no programa de TV “Keeping Up with the Kardashians”, que já leva 14 anos, 20 temporadas e cerca de 280 episódios, existe um fascínio que alimenta ferozmente este tipo de conteúdos sem qualquer interesse. Primeiro porque não se entende em que medida são celebridades, será pelo facto de serem ricas e bonitas? Também sei que estou a reduzir a família a um estereótipo que eu própria criei em relação a este conteúdo, são empresárias que fizeram crescer os seus negócios muito por esta exposição pública.

Podem servir de exemplo? Claro que sim como em tudo na vida, podemos ver apenas a futilidade ou tentar extrair alguma coisa boa. Neste caso, a futilidade é o que sobressai em larga escala, não acompanhando a par e passo (nem de perto) estes conteúdos ou as histórias destas pessoas mas do que vi são altamente disciplinadas. Para que tudo funcione na perfeição aparente, é preciso muita disciplina mesmo para quem tem muito dinheiro e empregados para os servir. Ser-se bonita, a par das múltiplas plásticas (óbvias) é preciso cuidar e isso não acontece só porque sim.

Os dramas com mais ou menos dinheiro são um pouco como os de todos nós, afinal de contas são humanos! Isso aproxima os telespectadores. O errado é ficarmos com uma percepção da realidade completamente distorcida, acharmos que se tem uma criança e no minuto a seguir o corpo volta a ter os abdominais definidos, que ter um closet, garagem, piscina e jardim é o padrão de qualquer casa, que as unhas nunca têm lascas e por ai fora. Aquilo é tudo uma encenação, quando as câmeras não estão a filmar a maquilhadora e cabeleireiro aparecem em cena para os retoques. Estas pessoas também choram, riem, sentem frustração, têm dias de procrastinação e dias em que estão com a pica toda! Não vamos ver louça suja, ervas daninhas nos canteiros ou osgas nas paredes…

O cenário de glamour serve para nos trazer alguma beleza e se possível suavidade da mesma forma que vemos um filme ou lemos um livro para nos transportarmos para outro qualquer lugar. O papel social das celebridades deveria ser, fazer-nos pensar em algumas questões importantes e não apenas em frivolidades. Claro também precisamos dessa parte e do ponto de vista comercial, para algumas marcas é bom que as partilhem desta forma, e o resto? O outro conteúdo fica onde? O envolvimento em causas e movimentos? A educação cívica e social? Não são tópicos banais bem sei, nem sempre sexys e por vezes são muito polémicos até, mas o cérebro precisa de algum estimulo não pode estar sempre a levar com conteúdos vazios.

Se as crenças, palavras, atitudes e acções dessas celebridades nos impactam em termos pessoais então deveriam ter mais cuidado na forma como se expõem e como se mostram. 

* A frase “Ser ou não ser, eis a questão” vem da peça “A tragédia de Hamlet”, príncipe da Dinamarca, de William Shakespeare.

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Sofia Cortez
Sofia Cortez marketeer por acaso, escritora em desenvolvimento e artista por vocação. Não existe uma linha condutora para a criatividade, só a vontade de criar. Entre os seus trabalhos estão uma Exposição de Croquis de Moda realizada 97 no Espaço Ágora, curso de desenho na Sociedade de Belas Artes em Lisboa, a participação em feiras de artesanato com o projeto: Nomes em Papel para crianças, um livro editado em 2018 “Devemos voltar onde já fomos felizes”, várias participações em coletâneas de autores em poesia e conto, blogger no blog omeuserendipity.blogspot.pt, cronista, observadora, curiosa com o mundo e aprendiz de todos os temas que permitam o desenvolvimento humano.

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