
A surpresa partiu dela: os dois dias de final de Janeiro, frio e soalheiro, encaixaram perfeitamente no molde da expectativa que eu levava para a cidade onde iniciei esta história. Nasci em Coimbra; nunca lá vivi e poucas vezes visitei esta cidade bonita, carismática, histórica e desperdiçada.
Começámos a recuperar a tradição à ida, quando saímos da A1 em
Fomos conhecer a Quinta, junto ao Portugal dos Pequenitos (e como é hoje tão mais pequeno do que há trinta e cinco anos!) e passeámos no jardim – tudo plantado com gosto e evocações à História – finalmente descobri a sensação de sentar o cu num hotel de cinco estrelas, apenas para confirmar que a diferença não está nas estrelas (excepto se abrirmos a porta do quarto e constatarmos que não existe casa-de-banho, como aconteceu numa espelunca no centro de Paris que me custou o olho do cu!) mas em tudo o que levamos para a vida que ali deixamos, e trazemos.
O cenário escolhido para assistir ao anoitecer saiu-nos melhor do que num guia turístico: alguns estudantes de Erasmus já se encontravam no miradouro junto ao baloiço, no Seminário Maior, mas foram abandonando o lugar. Não me recordo se fomos os últimos a sair mas a cidade era outra quando deixámos o momento para jantar.
Seguimos para a Lousã e ali, na amostra de caminhada que ensaiámos até ao castelo, decidimos que a serra merecia uma exploração mais cuidada, com amigos e roupa apropriada para calcorrear os trilhos. Já está marcada. A memória que levo da serra da Lousã começa a desvanecer-se: foi em 2005 e 2006 que lá me demorei três dias, mais concretamente em Foz de Arouce, em actividades com os putos do secundário nos anos em que dei aulas. Voltaremos agora com outra vida na bagagem, para ficarmos no Talasnal, uma das aldeias de Xisto. Mas isso ficará para outro texto. Este passa-se em Coimbra, na Quinta das Lágrimas, e na nossa vida.
