A Segunda Guerra Mundial foi um momento marcante e talvez o mais importante da história do século XX. O tema pode ser dividido em vários sub-temas, já que o alcance e a importância do que aconteceu, atingiu quase todos os campos da sociedade e, porque não, todos os cantos do globo. Como é natural, a campanha nazi e as suas consequências revelam-se como factor de destaque na Europa. Discutido e explorado através de diversas formas, o regime de Hitler e os seus campos de concentração formam uma marca indelével na literatura europeia e mundial, através de estudos académicos, de ficção, ou em relatos pessoais.
Neste caminho, surge o trabalho de Patrícia Carvalho no jornal Público, onde explora, de forma competente e rigorosa, o caminho de alguns portugueses que passaram pelos campos de concentração do regime nazi. Como a própria autora explica no fim do livro, este trabalho, apesar de não ser pioneiro, no que toca ao tema, é ainda pouco explorado no âmbito académico. De facto, a sociedade civil clama uma sabedoria considerável sobre as experiências de todos aqueles que sofreram nos campos de concentra
O livro oferece, também, algum estudo sobre os campos de concentração que receberam mais prisioneiros, num belo, mas difícil trabalho de observação (e absorção) dos factos. Apesar dos relatos de familiares de algumas vítimas, este livro, de teor claramente informativo, está longe do conteúdo oferecido por outras obras de destaque, como disso é exemplo a obra de Primo Levi, um dos sobreviventes do holocausto.
Apesar deste distanciamento lógico, também é necessário perceber que não era esse o objectivo para esta obra. Quanto a mim, com condições para servir até como gatekeeper – deixa muitas pistas para quem quiser e conseguir continuar a aprofundar o trabalho – o Portugueses nos Campos de Concentração Nazis é um bom livro de “iniciação” ao tema, mas preponderante para entender o enorme alcance das políticas seguidas pela Alemanha, na década de 30 e 40, na forma como conseguiu vergar (alguns) europeus à sua vontade.
