Para a eternidade

Passou recentemente na RTP2 a série francesa “Para a Eternidade”,  filmada em de 2018 por Thomas Cailley.

Esta série aborda a vida do ser humano após a descoberta da fórmula para viver para sempre, com um aspeto jovem e belo, e da reorganização da sociedade, por liderança, manipulação e contenção.

Mais do que opinar sobre se a série é boa ou não, se está bem filmada, escrita e interpretada, com cenários adequados ou com ou sem erros técnicos, interessou-me o fato de me manter sentada e desperta no sofá e ter-me imposto uma reflexão após cada episódio.

Nesta série existem pressupostos e apontamentos que aponto como bases de contexto, dos quais destaco parcamente para não ser spoiler:

A série aborda a perspetiva dos crentes, dos não crentes, dos conformados e dos revoltados, e da escolha e opção de escolha recorrente.

A escolha de ser eterno e jovem ou de envelhecer e morrer é abordada quer na perspetiva banal e natural rumo das coisas, como se se tratasse de tomar decisões nas compras do supermercado, quer na perspetiva filosófica da infinitude que o ser humano atinge ao se tornar eterno.

Existe um livro, Os Segredos Do Infinito, que aborda o enigma do infinito a vários níveis: a nível da ciência, da matemática, da tecnologia, da arte e da simbologia.

Uma das abordagens do livro é o infinito da medusa Turritopsis nutricula, que após atingir a idade adulta adquire a capacidade de se regenerar, transformar ou transdiferenciar, as vezes necessárias para garantir a sua sobrevivência, sucumbindo apenas quando devorada por outros seres ou afetada por doenças. Este fenómeno de transdiferenciação também acontece com as estrelas-do-mar ou com as salamandras, que quando perdem parte do corpo, conseguem que o seu corpo se transfigure até repor a parte perdida.

O conhecimento da infinitude da medusa Turritopsis nutricula terá sido a ideia motora desta série. Talvez o autor tenha “Os segredos do infinito” e se debata constantemente sobre a amplitude da infinitude das coisas e do ser humano, assim como da sua constante transfiguração em outro ser ou da regeneração inconsciente que as nossas células fazem todos os dias.

Para a Eternidade” acrescenta espaço temporal e emocional para refletir e questionar o que é o futuro e provavelmente para uma segunda temporada.

Exit mobile version