Uma nova era germina neste mundo em constante evolução.
São assim as sociedades, os indivíduos, a Natureza, a História da Vida e de tudo o mais que existe.
É assim a história da humanidade pois tudo é mutável e em contínua criação.
Parece estranha e pouco óbvia esta questão de ser adulto. Como se ser adulto fosse algo que já se soubesse aceitar, padronizado que está quando se atinge a maioridade legal. Desta forma entendido e não debatido.
Só que, vive-se a um ritmo frenético, num pára-arranca entre um passado e um futuro, sem estar no presente que se faz. A genética, a ciência, a medicina; o espaço e o cosmos, os oceanos e o ambiente; as imagens e sons, os jogos de luzes e cor que ofuscam a realidade adjacente; os vírus que consomem a imortalidade mental; a era da (des)informação em prol do mundo do conhecimento; a preferência pelo capitalismo, materialismo, consumismo… contra a capacidade de se elevar a si mesmo, o Humanismo.
E, questiona-se: que tipo de adulto se é?
Olhos postos num futuro próximo ou longínquo, aceita-se uma ansiedade de algo que ainda não é.
Vive-se em constante desequilíbrio, onde os pratos da balança pendem entre uma criança passado e uma adultez difícil de entender.
Existe-se; socializa-se, age-se, trabalha-se, num padrão ou não, entre a parentalidade, o conjugal, o profissional, o lazer ou a produção; num frenesim de idas e vindas, muitas vezes ofuscados pela ilusão de nunca se permitir serenar.
Dramática a actual condição de adultescência. A única certeza é a de que ser adulto não é algo estanque, prisioneiro num estado inerte, mas como algo passível de se construir a si mesmo, de acordo com o contexto histórico-social onde se insere.
Cosmopolita, no estado pós-pandémico e de profunda alteração de consciência e mentalidades.
Ou não! Aprende-se ou repete-se o mesmo errar.
Porém, de que adulto aqui se fala?
Curiosamente, ao pesquisar esta temática, deparamo-nos com uma dificuldade gigante. Uma omissão profunda, de que ao se “entrar” no ser adulto, pouco ou nada se encontra como estudo ou pesquisa.
E, se se encontram páginas e páginas de informação sobre a infância, a adolescência ou a velhice, a sociologia do adulto fica nas brumas do desconhecido. Talvez, por isso, a maturescência seja pouco compreendida, até pelos próprios que nela estão.
Será que se entende o adulto, aquele que deixou agora o estrelado universitário e segue, a milhas, rumo a um padrão regular de casa, trabalho, família?
Ou, aquele, que depois disso, enraíza numa profissão que não quer, em que conta o passar dos dias como forma de contabilizar os gastos para a reforma?
Talvez aquele que, pós anos e anos de trabalho, reformado, eterniza os minutos em dias, equacionando os porquês da sua existência?
Terrorífica esta visão da adultidade?
Qualquer que seja o estatuto de ser adulto, parece que a questão a reflectir passe mais por saber quem se é, aceitar-se e não o que é ser adulto?
Rogers acredita que se uma pessoa é aceite, plenamente aceite, e nesta aceitação não há julgamento, apenas compaixão e solidariedade, o indivíduo está apto a abraçar-se a si mesmo, a desenvolver a coragem de abandonar as suas defesas e encarar seu eu verdadeiro.
(Carl Rogers, Tornar-se Pessoa, 2009)
Ninguém faz essa questão a si mesmo. Muitos poucos são os que abarcam o seu eu verdadeiro, assumindo a andragogia como um processo natural de transição entre um antes e um depois. Apenas se limita a seguir a ordem das coisas, padronizada na sociedade em que se integra.
Carmen Martins Ezequiel
Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Antigo Acordo Ortográfico
