Se gostas de sonhar, vê O Balão Vermelho! Se gostas da infância, vê O Balão Vermelho! Se gostas de poesia, vê O Balão Vermelho! Se gostas de música, de fotografia, de cinema, de coisas diferentes que conseguem deixar-nos tão iguais por nos revelarem como é na diferença que nos irmanamos, então também podes ver O Balão Vermelho!
E neste sortido de equívocos, disrupções e indefinições, Albert Lamorisse sabia na perfeição o que estava e o que queria fazer quando acompanhou um rapaz pelas ruas de Paris dos anos cinquenta que transportava um balão vermelho. A suavidade com que vais viajando por meia-hora ao longo de um percurso tão simples é um bálsamo e um apelo para que, de vez em quando, te lembres de que algumas das coisas mais bonitas da vida são simples.
Foi a primeira (e não sei se a única) vez que uma curta-metragem (foi classificada desta forma) venceu um óscar de melhor argumento original, em 1956 e, ainda que não percebas ou não concordes com o reconhecimento quando vires o filme, admite ao menos que a história de um rapaz que encontra um balão vermelho com personalidade e que se torna no seu “guia” é mesmo uma ideia original.
Eu já viajei (andei?) de balão, e digo-te que, se bem que tenha sido uma experiência de sonho (mesmo para mim que morro de medo de alturas), preferiria ter viajado n’ O Balão Vermelho. Ainda há tempo.
