O Estoril Ténis aconteceu de 23 de Abril a 1 de Maio. Mas não é só de terra batida, “matche points” e essas coisas de tenistas que a competição é feita.
Durante nove dias tivemos alguns dos melhores tenistas do mundo (pelo menos é o que queremos acreditar), incluindo João Sousa. João Sousa é o melhor tenista português de sempre. Já esteve em algumas finais do ATP mas nunca conseguiu vencer.
O Estoril Open já acabou e, mais uma vez, nenhum português ganhou, mas muitas histórias devem ser contadas.
Esta história remonta a 2005, em pleno Estoril Open, altura em que Frederico Gil sonhava como sonham os garotos de 21 anos. O céu era o limite. Se os desejos não tinham tecto, o mesmo não se pode dizer da paciência de Dmitry Tursunov. O tenista russo compunha o Top 20 ATP e não esperava certamente grandes dificuldades com o português, que tinha com ele a multidão nas bancadas do court. Gil chegou mesmo a pedir para ser acompanhado pelos seguranças para os balneários com receio de que o russo cumprisse a promessa.
Na edição de 2015, havia sete jogadores do Top 50, entre eles figuravam nomes interessantes como Feliciano López, Richard Gasquet o francês da esquerda elegante e Nick Kyrgios, que está de volta na edição deste ano. Esta história é sobre Feliciano, o espanhol bem-parecido, que começou a jogar ténis aos cinco anos com o pai e futuro treinador, também ele Feliciano. É louco pelo Real Madrid, mas nem foi o futebol a estar em destaque na sua visita em 2015. O espanhol foi antes experimentar surf com Marc López e alguns surfistas portugueses. Teve um excelente dia de surf mas uma péssima partida de ténis.
Stanislas Wawrinka, em 2013, fez um passeio pelo Tejo num veleiro chamado “Patrão Mor”. E ele foi o grande vencedor da edição desse ano.
Os futuros grandes tenistas passaram por cá. Thomas Muster foi bicampeão, em 1995 e 1996. Carlos Moyà e Marat Safin também pisaram a terra batida do Jamor, ambos seriam também número 1 do circuito. Rafael Nadal esteve por cá em 2004, mas teve de abandonar por lesão.
Com a mudança de organização e de palco para o Clube de Ténis do Estoril, o único torneio ATP disputado em Portugal parecia ter-se voltado para os tenistas franceses, mas, paulatinamente, os representantes de duas gerações do ténis espanhol conquistaram o seu lugar na final. O primeiro a fazê-lo foi Pablo Carreño Busta, oitavo pré-designado e 50º jogador mundial, que derrotou o francês Benoît Paire, 21º do ‘ranking’ e terceiro favorito, por duplo 6-3, em uma hora e 14 minutos. Depois foi Nicolas Almagro a provocar novo grande desgosto à organização, que promoveu o polémico Kyrgios como uma das grandes figuras do torneio, ao impor-se por 6-3 e 7-5 ao segundo cabeça de série, também em uma hora e 14 minutos. O espanhol, 71º do ‘ranking’, foi o verdadeiro pesadelo promocional do torneio português, uma vez que eliminou os portugueses Frederico Silva e João Sousa e agora o finalista de 2015.
O Estoril é o salão de festas dos espanhóis e este ano não foi excepção e Almagro venceu a edição deste ano. Este era um dos tenistas por quem as pessoas davam menos, mas conseguiu chegar à final, uma final 100% espanhola. A primeira desde 2001.Terra prometida para os tenistas espanhóis desde há várias gerações – há 11 vencedores do país vizinho em 26 edições.
