Janela, só.

– Deste um beijo ao zarolho?
– Foi na cara, foi rápido.
– Mas ele é zarolho.
– Mas também tem cara e eu tenho boca e, portanto, juntas as condições, dei-lhe um beijo.

Lá vão as corujas, novas em idade, rindo e conversando. Uma estupefata por conta do beijo ao zarolho, a outra divertida por ter o zarolho beijado. Sortudo do zarolho que um beijo ganhou, coitado do mesmo que agora está sendo falado. A óbvia verdade de que em todo o belo há o feio. Lá vão elas, rua acima, de felicidade em pé-cochinho. O resto já não ouvi que só estou eu aqui assomado à janela e elas só estavam de passagem. Deixaram-me a mim agora com a curiosidade.

Pelo menos não estou só já eu, à janela. Estou eu mais ela: a curiosidade… de saber quem é o zarolho e as circunstâncias em que se deu todo este importante beijo. Pode ser que outro dia passem e eu vá desta história sabendo. Vou deixar as janelas abertas nestas noites próximas, a ver o que se sabe.

Agora que estou mais ela, não estou – pelo menos – só.

Abençoada noite. Bendito o zarolho beijado

E ele há bênçãos destas que nos dá a vida. Beijos de mocidade, aos zarolhos do mundo, para que dê a curiosidade aos parapeitos, das portuguesas janelas, carregados de solidão enrugada.

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