Tal como o livro, começo pelo meio: inesperado. Um livro completamente inesperado, uma história diferente e nova – ou, pelo menos, nunca li uma abordagem igual. Os temas subjacentes a este livro também são deliciosos.
Digo-vos também o fim: chorei. Ao acabar este livro, não pude evitar que me caíssem umas lágrimas. Quando existem animais na história, é mais forte do que eu.
Agora, um pequeno resumo em jeito de sinopse: Rosemary Cooke tem uma irmã da mesma idade e um irmão mais velho, que fizeram parte da sua vida mas já não estão nela. Costumava falar muito, falar sempre, não se calava, mas também isso mudou: ela é, agora, uma jovem calada e praticamente filha única. Tudo na vida dela está diferente do que costumava ser, e ela vai explicar-nos porquê neste livro.
Confusão? Nada disso, ao ler o livro faz tudo muito sentido e conseguimos perceber exactamente porque é que tivemos de ir sabendo assim, com cuidado, entrando na história aos poucos, para nos apaixonarmos pela vida de Rosemary.
Também aprendi muito sobre um tema que adoro, psicologia (o pai de Rosemary é psicólogo). O livro fala sobre teorias e contradições, pensamentos e acções, estudos feitos e estudos que, talvez, não se devessem fazer. É fascinante.
Isto é o que posso dizer em relação à história em si. Não posso contar mais. Quero contar tudo, mas não posso sequer levantar o véu, para ficarem tão surpreendidos como eu fiquei.
Não pude evitar comparações e rir-me, porque também a minha família tem a sua dose de loucura. Ninguém está sozinho. Também eu sou producto de escolhas minhas e de escolhas que foram feitas no meu lugar, algumas inevitáveis e outras que vieram das melhores intenções.
Este livro fez-me pensar (ou perceber?) que o ser humano partilha, mais do que tudo, esse segredo: na verdade, estamos todos (um pouco, ou completamente) fora de nós.
