Vivem-se tempos difíceis em que nos são “gentilmente” solicitados cada vez mais esforços, sem que os portugueses vejam qualquer tipo de retribuição e por retribuição entenda-se: condições. O ordenado mínimo é dos mais baixo da Europa e os impostos, esses, são cada vez maiores. Esta combinação resulta numa qualidade de vida cada vez mais precária e em taxas de desemprego recorde.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), no 4º trimestre de 2012, Portugal atingiu 16,9% de desempregados. O governo espanta-se com tal número, “que haverá superado as suas expectativas” e Pedro Passos Coelho afirma que “o desemprego é a situação mais dramática que temos no processo de reajustamento económico e é socialmente muito doloroso”. Espantos e afirmações à parte, vivemos numa era de “pescadinha de rabo na boca”, onde deixamos de ter esperança em procurar a solução.
Esta situação em que nos encontramos gera um descontentamento profundo e uma descrença ainda maior em quem nos governa. Diariamente, as medidas de austeridade que são pensadas e as que efectivamente entram em vigor fazem com que se unam as vozes, para expressar a revolta e a impotência sentidas, em busca da justificação dos meios que são utilizados que parecem não ter fim. Numa situação ideal e num país em pleno funcionamento, o pagamento elevado dos impostos seria utilizado em soluções para os seus contribuintes que, em soma, passariam a ter melhores condições de vida, desde a Saúde Pública à Educação.
Parece ser de outro continente, mas, provavelmente, o que a diferencia foi ter recusado a entrada na União Europeia. A Noruega é conhecida pela sua elevada carga fiscal imposta aos seus cidadãos, porém, tal medida parece não incomodar quem por lá habita. Comparando estados, a diferença é que o norueguês garante praticamente tudo: saúde, educação, protecção social.
Recentemente, numa reportagem exibida sobre este tema, deram um casal jovem norueguês como exemplo. Por lá, a licença de maternidade permite às mãe ficarem 8 meses em casa com os seus bebés, recebendo o salário na totalidade. Finda a licença da mãe, é a vez do pai ficar em casa, entre 3 a 4 meses, com as mesmas regalias. Jovens arquitectos com ordenados a rondarem os 7000 mil euros, a taxa de IRS é de 37%, sendo que, entre os dois, são 74% dos seus ordenados para o estado, mas admitem que os pagam com prazer. Têm a devida retribuição, por exemplo, através do subsídio dos Serviços Sociais que é proporcional aos descontos e incentiva a natalidade. São factos como este que fazem com que a Noruega já tenha sido rotulada como o país mais feliz do mundo, dado à qualidade de vida que proporciona. Vivem verdadeiramente em democracia e sob a premissa de um estado social para todos e pago por todos.
Por cá pagam-se taxas de IRS quase tão elevadas como as da Noruega e assiste-se a uma retribuição deficiente, ou mesmo nula.
Entre cá e lá torna-se fácil perceber as disparidades entre estes dois países, a semelhança nos descontos e a total diferença na forma como cada um dos estados retribui o que por nós é descontado. Aqui vive-se para pagar contas, que parecem não ter fim, algumas nem tão pouco são nossas, e quem não está contente que emigre (pá!).
