Não basta viver, queremos que a vida faça sentido, por isso, procuramos significado nas relações que cultivamos, nas carreiras que escolhemos, nas decisões que tomamos. Queremos que a vida não seja apenas vivida, mas sentida. Vivemos numa época onde o significado se tornou tão essencial quanto o ar que respiramos.
Somos uma geração que já não se satisfaz com o “dever ser”. A ideia de tirar um curso apenas porque é “seguro” ou de aceitar um emprego apenas para garantir um salário tornou-se desconfortável e até opressiva. Queremos mais. Queremos que o que fazemos nos represente, que traduza quem somos, em que acreditamos, o que queremos deixar no mundo.
No entanto, como se encontra esse significado quando as exigências da vida real são tão concretas? Como se reconcilia a vontade de viver com propósito com a necessidade de pagar contas ao fim do mês?
Encontrar significado não significa, porém, viver num idealismo romântico onde tudo tem de ser perfeito. Às vezes, o trabalho que pagamos com suor não é o “emprego dos sonhos” — mas pode ser um trampolim para outra realidade. Pode ser aquilo que nos ensina resiliência, que nos financia o projeto que nos apaixona à noite. O significado, por vezes, não está no que fazemos, mas no motivo por que o fazemos.
Talvez trabalhar num café não seja um sonho — mas ouvir histórias dos clientes, sorrir a alguém num dia difícil, sentir que fazemos parte de uma rotina de alguém… pode ser/ter significado. Talvez estudar uma área que não nos fascina por completo nos leve, sem darmos conta, à paixão inesperada por um ramo específico. O significado, muitas vezes, revela-se no caminho e não na meta.
Não se trata de romantizar a vida — mas de escolher olhar para ela com intenção. O significado nem sempre é dado, é na maior parte das vezes, criado. Pela forma como nos envolvemos, pela paixão que colocamos mesmo quando ninguém está a ver, ou elo impacto que temos — mesmo pequeno — no mundo de alguém.
No fundo, encontrar significado não é encontrar respostas prontas ou concretas. É viver com perguntas corajosas, é escolher não adormecer nos dias, mas sim despertar neles.
E talvez seja isso, afinal, o que nos define.
Foto de Maria Oswalt na Unsplash
Nota: Este artigo foi escrito seguindo as regras do Novo Acordo Ortográfico
