Olááá, leitores!
Então? Já estamos todos a sofrer de sintomas diversos associados ao fim do veraneio e início de uma nova loooooonga e promissora temporada?!
Hoje quero falar de dois temas muito relacionados com esta nesta fase do ano. Uma é a conhecida depressão pós-férias mas se refere a um determinado padrão de sinais e sintomas que se fazem sentir nesta fase de reajustamento à realidade do quotidiano.
A segunda é uma espécie de crise pós-férias, que não representa um diagnóstico médico formal e, se tudo correr bem, nunca encontraram nada escrito sobre isso, porque acabei de o inventar, durante a preparação do meu retorno às ocupações habituais.
Depressão Pós-Férias
A depressão pós-férias pode ser descrita como um estado emocional que acontece a partir do momento em que se inicia a antecipação do regresso e nas primeiras semanas após o reinício das atividades laborais. Ou seja, a fase de transição entre o período de férias e o regresso à sua rotina de trabalho.
Os seus principais sinais são de ansiedade e angústia, face às tarefas e responsabilidades laborais (escolares, ou académicas, consoante se aplique a cada um), que é acompanhada, claro está, por uma marcada dificuldade de concentração nessas mesmas atividades e responsabilidades. Frequentemente, estes sinais estão associados à sensação de não ter qualquer motivação para retomar a sua rotina, estando constantemente a desejar estar no seu local de férias, ou nas ocupações proporcionadas pelas mesmas.
Para além disso, pode sentir cansaço físico, decorrente das atividades de verão e perturbações de sono. Estas podem dever-se a alterações do fuso horário, ou, simplesmente, com a flexibilização dos ciclos de dormir e acordar que todos experienciamos (e desejamos) quando estamos de férias.
É importante que tenha em mente que este é realmente um período de ajustamento que dura cerca de duas semanas e que pode usar algumas estratégias para diminuir o seu impacto. Deixo algumas sugestões; sinta-se livre para se inspirar e criar as suas.
Estratégias para lidar com a depressão pós-férias
Aconselho-o a ser, primeiro que tudo, muito realista no que respeita às suas férias e às suas responsabilidades laborais. Se tivermos as nossas expectativas bem definidas acerca do tempo que temos para dedicar às férias, do que conseguimos fazer nesse tempo, e também do que vamos reencontrar quando regressarmos ao trabalho, será mais fácil readaptarmo-nos à rotina. Isto porque as nossas expectativas e a realidade estarão bem alinhadas, contribuindo para menos desconforto físico e emocional.
Outra sugestão que lhe posso deixar é de não “fechar a porta” das atividades prazerosas. Apesar de as férias terem acabado, não significa que não possa fazer coisas divertidas e quebrar a rotina nas suas horas vagas. Planeie um passeio, um almoço, um piquenique, um encontro de amigos… qualquer coisa que lhe transmita emoções positivas, tal como acontecia nas suas férias.
Convido-o ainda a adotar um ou dois hábitos das suas férias. Mesmo que só consiga concretizar um deles, vai notar como isso pode fazer diferença na sua vida. Por exemplo, ouvir música alguns minutos ao fim do dia, fazer a refeição calmamente sem o seu portátil ou telefone à sua frente. Fique com esse hábito, ele acompanhou-o ao longo das férias e foi tão bom, não foi?!
Esta é uma boa altura para dedicar um par de horas a estabelecer a sua rotina desta temporada que se inicia: perceber como vai ser o seu horário e dos outros elementos da sua família, que atividades manter ou iniciar e que outras abolir face à temporada anterior. Mas, lembre-se: tem de ser realista!!! E isso leva-nos, ao segundo tema.
Crise Pós-Férias
Relembro que a crise pós-férias, não é um termo difundido nem estudado cientificamente. É um termo que inventei para descrever algo que verifico empiricamente, isto é, que observo muitas pessoas a fazerem, incluindo eu própria, e que, por vezes, não tem o resultado que esperávamos inicialmente.
A crise pós-férias tem aroma a Ano Novo, mas é mais enérgica, porque, lá está, ainda é verão e estivemos a descansar e a divertirmo-nos. Frequentemente, ela revela-se através de objetivos e desejos de mudança, que num primeiro momento parecem ótimos, mas daqui a quinze dias (ou nos casos mais graves, quinze horas), já não parecem assim tão bem.
Os principais sintomas são: decidir que esta temporada vamos fazer todos os dias 90 minutos de exercício, incluindo 10km de corrida, 20 minutos de meditação e 30 minutos de Yoga, deixar de comer pão e carnes vermelhas. Todos os dias, todos os objetivos, sem falhar e sem fazer batota.
Vamos também decidir que nos vamos deitar todos os dias à mesma hora, mesmíssima, ao minuto. Este ano também vamos ter um programa cultural todos os fins de semana (incluindo, feriados e festividades) que agrade a todos os elementos da família. Vulgarmente, estes são os sintomas mais comuns desta crise, podendo, contudo, variar ligeiramente no conteúdo.
Não me entenda mal, como referi, esta é uma boa fase para se reorganizar, e acolher os desafios desta nova temporada, trabalhando os seus objetivos de desenvolvimento. Também não existe nada de errado com os objetivos que exemplifiquei acima, ou outros que tenha criado para si. O que transforma este padrão em crise é, mais uma vez, a falta de realismo a que nos propomos.
Existe em nós uma espécie de “esquecimento agradável”, ou “ingenuidade antecipatória”. Ela faz-nos acreditar que este ano vamos conseguir ter mais tempo livre, e incluir tudo o que desejamos no nosso funcionamento quotidiano.
Não esquecer
Quando tentamos incutir novos hábitos, temos de ser pragmáticos e realistas na perseguição do nosso sucesso. Caso contrário, vamos sentir-nos frustrados e, correr o risco de abandonar qualquer ideia de incluir momentos agradáveis, e necessários, nas nossas vidas quotidiana.
A “crise pós férias” pode ser um ótimo motor para perceber quais são os seus desejos e visualizar a sua vida nesse processo de mudança. Concretize a mudança em doses pequenas e controladas, ou seja, escolha um hábito e defina uma forma pequena e simples de o concretizar. Pode decidir que vai fazer 10 minutos de exercício, antes de passar aos 45 minutos diários; gradualmente, consegue chegar ao mesmo objetivo e acrescentar outros.
Quando isso acontecer, já não estará na presença de uma crise pós férias e de um pico de entusiasmo por “mudar tudo”. Estará, sim, a viver o seu dia-a-dia, com as mudanças que desejou para si e que dão cor à rotina a que tanto lhe custou voltar.
Com esta reflexão acerca da inquietação e exigência excessiva que pode ser regressar à rotina, desejo-lhe um ótimo regresso às responsabilidades e ocupações.
Aproveite bem a energia de renovação!
