De um amarelo ridículo

“Muitos dos alunos e pais da Didálvi, em Barcelos, irão à manifestação de amanhã. Mas no raio de 5 a 9 quilómetros de distância do colégio há duas escolas secundárias, três escolas básicas e uma básica e secundária. Todas públicas. A Escola Secundária de Barcelos foi requalificada e, sem fazer seleção de alunos, está, para quem liga aos rankings, nas primeiras 150 em mais de 632 escolas. A Alcaides de Faria, ainda mais próxima, ficou em 166º. E têm vagas. Vai-se poupar, com a não abertura de novas turmas subsidiadas no Didálvi, um milhão e meio no próximo ano e mais de três milhões a partir do ano seguinte. (…) Dizia João Alvarenga, diretor do Colégio Didálvi e anterior presidente da associação que lidera os protestos, quando foram distribuídos computadores Magalhães em escolas públicas: “Não é despejando dinheiro sobre o sistema, não é despejando computadores sobre o sistema que se vai fazer com que ele funcione.” (…) Penso que chegou a altura de não despejar mais dinheiro no negócio do “Dr. João Alvarenga” e tratar de resolver os problemas das escolas que são de todos e para todos.”

O que lemos no paragrafado anterior é um excerto de um artigo de opinião do Jornalista Daniel Oliveira sobre os Contratos de Associação. Nesta sua peça jornalística o Daniel relata a história de um dos muitos Colégios privados que se manifestaram no passado Domingo em Lisboa porque no próximo ano lectivo vai deixar de estar abrangido pelo Contrato de Associação. Um caso entre muitos outros de manipulação de informação e de sério atentado à seriedade de cada um de nós.

Repito o que já aqui escrevi sobre os Contratos de Associação: é uma vergonha que um país como o nosso em pleno século XXI não tenha ainda uma rede escolar pública que cubra as necessidades de toda a população.

Contudo, quando escrevi tal coisa estava longe de imaginar que a vergonha poderia ser maior. Temos mesmo de estar terrivelmente envergonhados quando ouvimos os líderes do PSD e CDS, Dirigentes de Colégios privados, Pais, Associações, Igreja Católica, Comentadores, Jornalistas e alguns Políticos a defenderem a clara violação da Lei em nome de qualquer coisa que a razão está longe de perceber.

Realmente custa a perceber algo tão simples como ser estritamente necessário que o Estado – através do dinheiro dos Contribuintes – tenha de manter o financiamento de vários Colégios privados, quando mesmo ao lado destes existem escolas publicas com condições para receber alunos. E quando me refiro aqui a condições de receber os alunos falo da existência de uma rede de transportes que possa transportar os alunos até às Escolas e condições estruturais para o normal funcionamento da Escola. Critérios que o Ministério da Educação teve em linha de conta na sua análise das zonas onde decidiu não dar continuidade aos Contratos de Associação.

 Confesso que me é de todo impossível perceber quem defende intransigentemente os Colégios Privados. E mais me custa tentar perceber a posição destas pessoas quando estas têm por base da sua opinião coisas como:

Em suma, todo um choradinho de argumentos da parte de alguém que tem todo o direito de se manifestar sem razão alguma vestido de um amarelo ridículo. Amarelo este que fica ainda mais ridículo devido à óbvia instrumentalização de crianças nas ditas manifestações.

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