As asas da singularidade

Cada um de nós carrega consigo peculiaridades que nos torna únicos. Essas características podem manifestar-se de maneiras estranhamente diferentes, mas são os gostos e perspetivas que moldam a nossa visão do mundo. Permitem-nos sentir e compreender a realidade, por meio de uma lente única, por uma janela de onde se vislumbra a complexidade que nos rodeia.

Procuramos assumir a identidade, sem que isso incomode. Sem ferir por um segundo. Esquecemo-nos de nós. Somos assolados, inúmeras vezes, pela vergonha que sentimos em assumir as diferenças, preferindo escondê-las. A tendência é encaixarmo-nos nos padrões estabelecidos pela sociedade. Aquela que convenientemente opta pela normalidade.

Mas por que será tão difícil aceitar a singularidade de comportamentos que subtilmente dão notoriedade e abraçam a estranheza?

Por que nos sentimos renegados?

Esta é uma grande caminhada de reflexão. Desde cedo, somos orientados a seguir as normas e a corresponder às expetativas sociais, o que nos leva a suprimir a verdadeira essência. A afirmar o caminho de alteridade.

Escondem-se as excentricidades que nos habitam, por medo do julgamento ou por rejeição. Perde-se uma parte pelo caminho. Perde-se um pouco de nós. Porém, na verdade, a diversidade é o que torna o mundo interessante, nada aborrecido e entediante.

Se fossemos todos iguais, se gostássemos todos da mesma coisa, o mundo seria insípido. Por isso, é importante reconhecer as experiências e os talentos que em nós coabitam e permitem sonhar.

Talvez o medo do desconhecido, a falta de compreensão e aceitação por parte do próximo, ou ainda a pressão premente, conduzam à conformidade.

A liberdade começa na aceitação, sem receio de julgamentos externos.

Ser weird é ser autêntico e único, por isso deveria ser celebrado e não escondido. Abafado.

A estranheza é Humanidade.

Ingratos são aqueles que se envergonham do nome que se destaca dos demais. A capacidade de escolha está ao nosso encargo. É inútil esbanjar a vida a suprimir sentimentos e a travar tão desnecessários sofrimentos.

Para todos nós que nos comunicamos uns com os outros, as asas da borboleta têm sempre a mesma cor”

Rovelli, Carlo (2022), in O Abismo Vertiginoso

Apesar das diferenças individuais, há algo que nos une constante e universal, assim como as asas das borboletas.

Nota: Este artigo foi escrito seguindo as regras do Novo Acordo Ortográfico

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