O escritor americano Robert Fulghum afirma que tudo o que precisava de saber sobre como viver, o que fazer, e como ser, aprendeu no jardim de infância. A sabedoria afinal não mora no topo da montanha mais alta nem no último ano de um curso superior, mas sim no recreio da escola. Nas inúmeras brincadeiras aprende-se a gerir as emoções. No fundo, a idade passa, os problemas assumem outras formas, mas as soluções têm sempre integradas as lições que aprendemos no recreio da escola.
Para entender determinados conceitos aliados à gestão das emoções viajemos até à nossa infância e às inúmeras brincadeiras que tinham como palco o recreio.
Era certo e sabido que o duo que mais se divertia no balancé era o que mantinha o equilíbrio dinâmico para alternar a subida e a descida de cada elemento – a aplicação prática do conceito de cooperação.
Nos balouços, o empurrão inicial para ganhar balanço e continuidade de apoio para manter a cadência do balanço eram muito apreciados. Também havia a consciência de que a determinada altura era preciso inverter as posições (o outro também gostava de sentir a emoção de andar de balouço com uma ajuda extra). E assim se praticava a empatia.
Na dinâmica do “agora tu em cima, agora eu em cima” e “agora andas tu e empurro eu e a seguir ando eu e empurras tu” criavam-se laços que refletem o valor da amizade.
Cada vez que colocávamos os pés no recinto do recreio tínhamos a expetativa que aqueles momentos iriam ser simplesmente fantásticos. Contudo, às vezes, as contrariedades surgiam. Amuar a um canto não explicava o que sentíamos. Para lidar com o burro amarrado tínhamos duas hipóteses: ou permanecíamos na companhia do bicho enquanto os outros se divertiam; ou soltávamos o animal arranjando uma forma de nos fazermos entender e integrarmos a brincadeira.
No recreio, aprendemos que o verso tem reverso, que o direito tem avesso, que o de graça tem seu preço e que a vida tem contrariedades. Porém, mesmo nessas contrariedades podemos ser harmoniosos porque a grandeza da alma e das relações que construímos se medem pela capacidade de reconciliar os contrários que existem dentro de cada um de nós e em relação ao outro.
