A pergunta que tanto passa pela minha cabeça, ao analisar noticiários, jornais e tantos outros meios informativos é, invariavelmente, “como pode o nosso país melhorar?”. Parece-me que todos sabem apontar os problemas. Fácil é demonstrar o que está errado. Simples, explica-se o que falha e sempre esteve errado nas nossas políticas governamentais, nos nossos comportamentos e nos pensamentos da população. No meio de tudo isto, onde estão as respostas? Quais são os passos certos e as medidas corretas a tomar? Vamos lá tocar no mais difícil e por mãos à obra.
Mais do que debater quais as medidas a tomar, num curto e médio prazo, parece-me ser necessário rever padrões destrutivos. Já não chega atribuir culpas a A, ou a B. Trata-se de melhorar o nosso país, mais do que perceber quem e o quê levou a este resultado, com estas consequências infernais. Agora, é o momento de agir. Tomar como certo um futuro incerto, lutando pelo crescendo de segurança social, comunitária e individual.
Como afirma Bruto da Costa, numa entrevista ao Jornal de Noticias, a solução para acabar, de modo sustentável e duradouro, com a pobreza passa pelo investimento económico. Concretizando esta ideia, o economista Luís Bento, professor na Universidade Autónoma de Lisboa e membro do Grupo, de Paris, de Ética e Responsabilidade Social, afirma que a chave passa pela redistribuição da riqueza nacional.
Mais concretamente, explanando a sua ideia, Luís Bento
Porém, o que é isto de redistribuir a riqueza? Falamos de ideais comunistas? Princípios de solidariedade, solidificados e concretizados na lei? Uma obrigação, opção, ou possível escolha?
Primeiramente, devemos ter em conta que o conceito de “redistribuição de riqueza” afasta-se, não chegando a contrapor, o conceito de “distribuição de renda”.
A distribuição de renda consiste na (re)distribuição dos lucros obtidos, no seio da sociedade, tendo em conta uma igualdade proporcional, que coloque todos os indivíduos, de uma comunidade, no mesmo ponto de partida.
Por outro lado, uma redistribuição da riqueza é, também, tido como um “saber comum”. Ou seja, é um meio de comparação da riqueza entre os vários membros de uma sociedade, grupo, ou comunidade. Este mecanismo implica, que numa fase posterior, exista uma redistribuição da posse dos recursos de uma sociedade, não tendo em conta a sua intervenção na produção, mas os benefícios de uma igualdade.
Existem vários meios, técnicas e procedimentos que permitem avaliar a distribuição da riqueza, numa determinada economia. Sendo que, um deles é o Wealth Over People (WOP).
Aparentando-se a um gráfico, que tanto povoam
Tendo em conta os vários modelos de distribuição da riqueza possíveis, hipoteticamente, numa sociedade, podemos identificar dois polos. A WOP comunista perfeita é identificável com uma situação idílica, em que a riqueza estava distribuída de forma igual, por toda a população, não existindo uma minoria enriquecida e uma maioria empobrecida. Opostamente, contrastando com o polo comunista, a WOP de tirania perfeita implica que a riqueza encontre-se concentrada numa minoria da população. Neste último caso, a maioria da população, que seria governada, seria pobre e estaria em condições de miséria extrema. Os seus governantes fariam parte da minoria, que além de extremamente bem qualificada, seria riquíssima.
Tal como uma avalanche, que se inicia com pequenas bolas de neve, também a distribuição da riqueza é afectada por pequenas medidas, que posteriormente terão um enorme impacto.
Em que medida, é que esta situação se aplica, na distribuição da riqueza?
Em termos socias, podemos aperceber-nos da dificuldade em executar este modelo e contrariar as tendências ancestrais da estrutura social. Como afirma George Orwell, em 1984, “desde que há documentos escritos, e provavelmente já desde o fim do Neolítico, existem no mundo três categorias de pessoas: a Alta, a Média e a Baixa. Estes grupos têm-se subdividido das mais diversas formas, foram-lhes atribuídos variados nomes, e a sua proporção numérica, bem como as atitudes recíprocas, variaram de época para época; a estrutura fundamental da sociedade, porém, nunca se modificou. Mesmo depois da mais variadas convulsões, das mudanças aparentemente mais irreversíveis, acabou sempre por reestabelecer-se idêntico modelo, tal como um giroscópio volta sempre ao ponto de equilíbrio por muito bruscamente que o desloquem nesta ou naquela direcção. Os objectivos destes três grupos são absolutamente inconciliáveis (…)”.
Mais do que mudanças estruturais, este segmento sugere-nos que é inconcebível uma redistribuição da riqueza que extermine as três categorias sociais, já pré-datadas.
Todavia, a redistribuição da riqueza vai mais além do que
