Decorria o ano de 1939, início da Segunda Guerra Mundial, quando um jovem escriturário de uma fábrica, chamado Mário José António de Oliveira, começa a ocupar os tempos livres a inventar jogos na cave dos pais. Com uma veia empreendedora rara para a época, lança o primeiro jogo de sucesso: Pontapé ao Goal. Anos mais tarde (1968), é construída uma fábrica na rua Delfim Ferreira, na cidade do Porto. Era o início da mítica marca de brinquedos Majora, que durante décadas inspirou gerações.
Antes da Majora, a produção de brinquedos em Portugal era praticamente inexistente. Os poucos entretimentos dos mais novos eram, sobretudo, oriundos da vizinha Espanha e da Alemanha – o principal fornecedor do país. Sabe-se, inclusive, que Mário de Oliveira realizou inicialmente uma visita a este país e só depois se lançou no negócio. Entre os primeiros jogos criados, encontravam-se os cubos da Carochinha, o Rapa, o Tacho e a Roda da Sorte, mas seria com o Pontapé ao Goal, produzido a partir de materiais simples, como madeira e cartolina, que a empresa ganharia fama. Na época, goal e footbal ainda não tinham tradução conhecida em português. Hoje é considerado um clássico ao alcance dos colecionadores.
À medida que os anos foram passando, a Majora começa a sentir os primeiros sintomas da Globalização. A crescente concorrência de multinacionais como a Hasbro (famosa pela criação do Monopólio) leva a empresa a deslocalizar parte da sua produção para a China, a maior fábrica de brinquedos do mundo. Enquanto no país do sol nascente eram produzidos os acessórios de metal, madeira e plástico, toda a produção de cartão e papel continuava a estar concentrada em terras lusas.
Em 2010, consciencializados com o crescente poder de compra dos idosos, é lançado para o mercado uma série de jogos com a ajuda da Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti. Apenas um ano depois, são criados vários brinquedos a preço reduzido na tentativa de responder aos novos hábitos de consumo. Foi ainda em 2011 que foi desenvolvida a aplicação móvel de “O Sabichão”, como forma de celebrar os seus 50 anos de existência.
Da morte ao renascimento
Em Março de 2013, o país é surpreendido com o fecho da Majora. A produção estava terminada e os últimos trabalhadores tinham sido dispensados das suas funções. Da Rua Delfim Ferreira, no Porto, já não saíam os afamados jogos de tabuleiro. A empresa era entregue ao banco, assim como o museu.
Eis que uma nova página começa a ser escrita a 13 de Janeiro de 2014. O The Edge Group comunica a compra da fábrica, num investimento avaliado ao todo em 1,6 milhões de euros. Hoje, o principal desafio da Majora é conjugar a componente digital com a mítica da empresa que, durante anos, foi capaz de reunir pais e filhos em torno dos seus jogos. A história da marca de brinquedos não termina aqui. Novos capítulos se avizinham…
