Com os avanços médicos e científicos, o ser humano chegou ao ponto de controlar várias doenças junto dos seus respectivos sintomas. Porém, apesar de todos estes progressos, eliminar totalmente uma doença da face da Terra é uma tarefa muito complexa, pois é um processo complicado e, para a maioria das doenças, impossível.
É uma tarefa tão complexa, que, havendo tantas doenças infecciosas e parasitárias que podem afectar o ser humano, somente uma, até ao dia de hoje, foi erradicada e tal doença é a Varíola. No entanto, estas boas notícias só vieram no começo deste ano de 2015 e há outra doença que está prestes a ser erradicada totalmente – a Dracunculíase.
O propósito desta fêmea é o de, deslocando-se pela perna, libertar as suas larvas. Para isso, deve sair para o exterior, pelo que, primeiramente, cria uma bolha que produz uma sensação de queimadura e depois uma perfuração na pele, por onde poderá espreitar, quando estiver em contacto com a água e, assim, conseguir expulsar as larvas. Estas larvas libertadas na água infectam o Copépode e, deste modo, realimenta o ciclo de vida deste parasita.
O Verme-da-Guiné é um dos parasitas humanos com a melhor documentação história de sempre. A primeira referência feita aparece na medicina egípcia, num papiro de 1550 a.C., já para não falar dos informes sobre o comportamento do parasita, descritos da Antiga Grécia, no século II a.C.
A Dracunculíase não costuma ser uma doença mortal, mas o facto das pessoas terem nas pernas vermes com um metro de comprimento, que perfuram a pele, provoca-lhes uma forte dor aguda, ao ponto de as impede de caminhar. Para além disso, o período de máxima transmissão costuma coincidir com a campanha agrícola dos países onde esta doença é comum e as pessoas infectadas ficam impedidas de trabalhar. Como a produtividade alimentar diminui em países onde a fome é característica, é compreensível que a Dracunculíase é também conhecida no Mali como “a doença do celeiro vazio”.
O bem-sucedido programa de erradicação da Dracunculíase consiste em várias estratégias preventivas, tais como um maior acesso para a população a água potável, filtrar água para beber, prevenindo a infecção (filtram-se os Copépodes e estes não são ingeridos), detecção de todos os casos de doença nas 24 horas seguintes à aparição do verme, tratamento dos tanques de água com larvicidas de Copépodes e promoção de educação sanitária e mudanças de comportamento da população – convencer as pessoas infectadas a permanecerem longe das fontes de água, por exemplo. Juntamente com estas medidas, The Carter Center (organização sem fins lucrativos fundada e presidida pelo ex-presidente norte-americano Jimmy Carter) e a Organização Mundial da Saúde trabalham numa iniciativa que consiste em distribuir filtros, que podem ser pendurados no pescoço, para as pessoas utilizarem sempre que forem beber água.
Em 1986, esta doença existia em 20 países da Ásia e de África. Nesse ano, The Carter Center começou a liderar a primeira campanha mundial para a erradicação do Verme-da-Guiné. 3.5 Milhões de pessoas estavam infectadas. Muito trabalho foi feito, especialmente em lugares onde era difícil estabelecer a campanha de prevenção, por causa da instabilidade política e dos conflitos armados existentes.
