Pouse o telemóvel, agarre a caneta

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As linhas traçadas a caneta no papel espelham uma atividade com mais de 3500 anos que ainda resiste no tempo: a escrita à mão. Para relembrar anualmente este facto, foi implementado o Dia Mundial da Escrita à Mão, comemorado todos os anos a 23 de Janeiro.

Na era digital, escrever à mão é cada vez mais raro. Todos podemos verificar que a velocidade de produção de texto num computador ou telemóvel impera face à paciência requisitada pela escrita manual. Contudo, não se deixe enganar, a produção manuscrita traz inúmeros benefícios.

O ato de escrever à mão ajuda a organizar pensamentos e a reter informação, ativando áreas do cérebro diferentes das utilizadas aquando do uso do computador, por exemplo. Além disso, ler o que se escreveu em papel estimula a memória e o desenvolvimento cognitivo, oferecendo ainda um suporte de leitura intemporal. Manuscritos datados de há mais de 2000 anos preservam ainda os seus textos e informações.

A escrita ou assinatura manuscrita desempenham ainda um papel fulcral na atribuição de autenticidade e personalização, em documentos como acordos internacionais, contratos ou cartas de amor. Quem não suspirou algum dia ao reconhecer determinada letra?

Outro dos benefícios associados à escrita à mão é o efeito relaxante. O journaling, por exemplo, uma prática de registo escrito regular, pode ser uma ferramenta bastante eficaz para quem procura reduzir o stress, melhorar o autoconhecimento, estimular a criatividade e, de uma forma geral, promover o bem-estar. Eu estou a iniciar esta prática, adaptando a abordagem para encontrar a forma que melhor funciona para mim, de forma a ser uma atividade prazerosa e encontrar todas as vantagens descritas.

Se estiver também sensibilizado para estes benefícios e quiser implementar este hábito no seu dia a dia, pegue na caneta e comece com uma pequena meta diária. Defina um determinado número de palavras ou tempo, crie um ambiente propício à escrita, detalhando quando e onde pretende escrever e recompensando-se no final de cada sessão, como sugere James Clear no livro Hábitos Atómicos. Aos poucos, com consistência, a escrita manual virará rotina, com tudo de bom que isso acarreta.

Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Novo Acordo Ortográfico.

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