Confesso que há tempos tenho me questionado isso. Não que me julgue como perfeita, dona da razão ou alguém livre de cometer erros. Afinal, somos todos humanos. Quem não erra, que atire a primeira pedra!
Contudo, ultimamente, esse tema tem vindo em pauta, nas nossas rodas de conversas e acontecimentos no dia-a-dia e tenho me impressionado um pouco mais. Não sei se, eu que ando mais atenta, se é a idade que me faz perceber coisas que quando mais nova passou por despercebido ou se é mesmo o mundo que resolveu escancarar de vez. Arrisco até em dizer que, em muitas vezes, dá até vontade de gritar: “Motorista, pare o autocarro que eu quero descer”.
Qual a “viagem” em que agora estamos?
Dia desses, na espera de uma consulta de oftalmologia e aguardando minha vez, folheava um livro, enquanto na receção chegou um novo paciente, preenchendo a ficha verbalmente. Daquelas que nos perguntam o básico, como morada, nascimento, idade e afins. E quando o questionamento foi sobre a idade do senhor, vimos o mesmo se enraivecer. Disse logo que era uma pergunta totalmente deselegante, sugeriu que a profissional da clinica fizesse as contas pela data de nascimento que constava no documento dele ou lhe cedesse um papel para ele escrevesse a idade sem precisar falar em voz alta – e sim, só havia eu e as duas colaboradoras da oftalmologista no local – a atendente até tentou explicar que são questões usuais quando é um primeiro atendimento e por ser mesmo um consultório médico não conseguia perceber qual a limitação em responder uma simples pergunta. Já a outra colega, mais objetiva, resolveu a situação fazendo a conta na calculadora – ano de nascimento e ano atual, informando a colega em alto e bom som que o senhor em questão tinha – tem- 48 anos. E pronto! Afinal, a atitude dele causou mais alvoroço e chamou mais atenção do que se ele tivesse respondido uma pergunta de praxe, no qual a situação e o local permitia, sem maiores alardes.
A ausência de bom senso, ou seja, à falta de capacidade ao agir de forma sensata, prudente e adequada em determinadas situações traz embaraço maior ainda para que está no meio, no outro lado. Até porque, o que age dessa forma nem se dá conta o quão desagradável pode ser o próprio comportamento, demonstrando uma total falta de empatia com os outros.
Outra situação recente que presenciei foi na caixa em uma loja de roupas. Estava já no balcão para pagamento quando outra senhora, ao meu lado, estava em uma discussão com funcionária do caixa. O problema se resumia em: a cliente não queria ficar com a fatura e exigia que fosse deitada ao lixo. A colaboradora tentando explicar mais do que uma vez que a regra era que a entregassem e depois o cliente poderia fazer o que quisesse, obviamente, inclusive jogar fora ao sair da loja. Mas sabe birra de criança pequena? Que nada adianta explicar, argumentar, falar? É a voz de quem faz a birra que lidera. E assim foi. Outro funcionário interveio e ele mesmo, desfez na lixeira o bendito papel da discórdia. Ou seja, foi contra as regras da loja em questão para simplesmente atender um capricho de uma pessoa que se limitou a exigir algo que não era o correto para a situação.
Poderia eu – e provavelmente você que está lendo, também – citar inúmeros casos, diferentes situações onde a falta de bom senso impera. É no trabalho, na escola dos filhos, na família, na ida ao supermercado, no trânsito, na vida diária. E não tem faixa etária. Nem classe social, nem gênero ou qualquer rótulo. Pode ser qualquer um. E o pior, esse “um” nem quer saber se é. O ego não o permite se auto analisar e muito menos perceber quanto pode afetar o outro com suas palavras, atos, comportamentos, atitudes. O outro nunca vai ser a preocupação. É sempre o figurante, longe de ser personagem principal.
A pessoa que frequentemente se deixa predominar com a falta de bom senso é aquela que pensa que é líder, que é a correta e nem se dá o trabalho em se colocar no lugar do outro. E parar. Ou pensar. Raciocinar no que a frase mal colocada pode afetar. Um comentário desnecessário, no que pode somar? Uma forma de agir ou falar.
Se não souber o que dizer, melhor estar calado.
Se não sabe o que fazer, mas vale estar quieto.
Mas os donos – no caso, da falta de – bom senso, são capazes de nunca perceber. Mais vale nós (donos de bom senso, eu espero) continuarmos a seguir a vida, considerando que precisamos nos colocar na maioria das vezes (ou sempre), no lugar do outro e levar o respeito como regra para a vida, nos blindando dessas pessoas.
Se não soma, não contabiliza.
Blindagem da mente.
Nota: Esse texto foi escrito com as regras de português do Brasil.
