Uma questão «simples»: Para que serve a Literatura? Porque escrevemos e lemos? Qual a importância dos livros? Não tem uma resposta tão simples como parece. Se a pergunta é simples, a resposta é mais complicada. Não é única, nem certa. É variável. Varia com várias coisas.
Começo este texto com uma definição, que é um exemplo do que não é literatura. No dia 12 de fevereiro de 2025 perguntei à internet «o que é literatura». E entre outras coisas, a amiga net disse-me que «um texto literário é marcado, acima de tudo, pela função poética da linguagem. Debruça-se sobre o sentido conotativo, figurado de cada palavra, procurando estender ao máximo a capacidade criativa da língua para provocar um prazer estético».
Alguns teóricos defendem que, além desse objetivo estético, a literatura, como arte, deve exprimir apenas conteúdos subjetivos (mas alguns autores defendem que não). Além disso, outros teóricos defendem que literatura se refere apenas à produção de textos feitos para serem lidos, deixando de fora à compreensão do termo manifestações como composições musicais e textos teatrais.’
Varia com os livros, com os leitores, com o local, com o tempo, com o clima, os temas e as vidas. Terá várias respostas complementares. Cada leitor acrescentará sua parte na resposta, seu parágrafo.
Escrever e ler é um modo de ser, ver, viver. Ler e escrever não serão a mesma coisa para cada leitor e escritor. Foi uma grande invenção, a escrita e, consequentemente, a Leitura. A escrita, que trouxe consigo a leitura. Inventa mundos, imaginar outros… imaginar. Pensar, criar, inventar. Descrever promove tantas ideias como pessoas.
A jarra era toda branca muito fina e elegante com linhas desenhadas de azul que dançavam. Cada um de nós imaginará jarras diferentes, desculpem estar descontextualizada. A Jarra era também o lugar, onde e com quem estava, era recipiente de água, vinho, (verde, tinto e/ou branco), sumo de inúmeras frutas, cocktails alcoólicos, coloridos ou não, chá! Chá não se põe em jarras, normalmente, mas a literatura pode estar em desacordo com a realidade e inventar.
O leitor e o escritor raramente andam a par, receio que esta frase vá ser posta em causa. Qualquer escritor tem de ser um leitor acima da média; mas o leitor não precisa de disponibilizar para ela sua vontade.
Ambos exigem grande entrega e gosto como a maior parte das coisas boas da vida.
Quem lê, quem escreve, quem não lê, quem não escreve tem vidas diferentes. Quem escreve precisa de ler para alimentar a fogueira. Escrever é uma forma de passar experiência aos outros. Quem não escreve terá outras formas de o fazer. Ou as mesmas. Ou…
Imagino um mundo subterrâneo em estilo biblioteca onde cada livro novo editado é etiquetado e arrumado. Perder-se por lá é complicado: está organizado por filas e muitos, todos, os pós-bibliotecários de todo o mundo lá arranjam trabalho. É o pós-conhecimento estantituído, um luxo tanto saber, todo o saber escrito. De todo o mundo e de todas as épocas.
Só devemos consumir literatura que saibamos ter qualidade. Saibamos? Que tenha sido aconselhada por alguém de confiança, por experiência dos outros! Às vezes, basta ler um trecho para sabermos se dá um bom namoro ou não. Há uma data de literatura que sabemos, pela história, ter ou não ter qualidade para ti. Pode ter para outros e não se adequar a quem és. A quem queres ser. O consumo de informação é importante em quem somos e queremos ser. Somos feitos de milhares de informações, que consumimos aqui e ali, não só lendo, mesmo sem darmos conta, de mil e uma maneiras: imagens, cores — fluorescentes, ritmadas, primárias, simples, complicadas; invenções — como um canguru em cima de um orangotango na fila da entrada para o novo jardim zoológico da moda onde só entram animais às cavalitas; sons — clássicos, modernos, de quando eras novo ou estavas a entrar na adolescência; cheiros — perfumes, de animais, primaveris, de cozinhas; et cetera.
Os livros perdem cada vez mais importância. Para os computadores, os telemóveis, os tablets, para outras formas de gastar e ganhar tempo. São do passado, de outro tempo. Ou ganham nova roupa, onde são incorporados. São SEMPRE atuais! Não deixámos de escrever, nem de ler, até escrevemos mais. Mas em espaços mais pequenos, segmentados e ecrãs. Dedicares tempo a escrever um livro não é evidente, às vezes, nem para ler um livro ou textos destes, as vinte e quatro horas chegam, são suficientes. O mundo eletrónico ganhou importância. E lemos mais, outro mundo, como consequência. Há mais gente alfabetizada do que ontem e menos do que amanhã. É preciso disponibilizarmo-nos para dar tempo à leitura, recolhermos tempo para nós, para pensarmos, para o nosso interior não envelhecer pior.
Não é um tema tão simples como isso…
